O avanço dos casos de feminicídio em Goiás acendeu um alerta nos órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Dados divulgados nesta quarta-feira (22) mostram que o estado registrou 47 mortes de mulheres vítimas desse tipo de crime entre janeiro e junho de 2026.
O número representa um crescimento de 113% em relação ao primeiro semestre de 2025, quando foram registrados 22 casos. O levantamento faz parte do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério das Mulheres, a partir de informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.
O cenário de alta já havia sido identificado no início do ano. Apenas nos três primeiros meses de 2026, Goiás contabilizou 29 feminicídios, enquanto no mesmo período do ano anterior foram 18 ocorrências — aumento de 61%.
Como uma das iniciativas para reforçar a proteção às vítimas, o Governo de Goiás passou a defender mudanças no acompanhamento de agressores. Em abril, o governador Daniel Vilela encaminhou à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) uma proposta para que responsáveis por casos de violência doméstica e familiar arquem com os custos dos equipamentos de monitoramento eletrônico utilizados em situações determinadas pela Justiça.
O projeto foi aprovado pelos deputados estaduais em maio. A medida, segundo o governo estadual, busca ampliar o controle sobre casos em que há medidas protetivas em vigor e fortalecer a fiscalização de suspeitos.
Brasil apresenta redução
Enquanto Goiás registrou crescimento expressivo, o levantamento aponta uma queda no número de feminicídios em todo o país. No Brasil, foram 741 casos no primeiro semestre de 2026, contra 760 no mesmo período de 2025, uma redução de 2,5%.
A análise por regiões, porém, mostra cenários diferentes. Norte e Nordeste tiveram as maiores reduções, com quedas de 20% e 19,9%, respectivamente. Já Centro-Oeste, Sul e Sudeste registraram aumento nos índices. O Centro-Oeste teve alta de 19%, o Sul de 19,2% e o Sudeste de 2,6%.
Em fevereiro deste ano, o governo federal anunciou um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio, reunindo órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário com o objetivo de criar ações conjuntas para combater a violência contra mulheres.