Duas mulheres assassinadas em Goiatuba e uma vítima de tentativa de feminicídio em Trindade. Embora os crimes tenham ocorrido em cidades diferentes, eles têm um ponto em comum: a motivação, marcada por ciúmes e pela não aceitação do fim do relacionamento.
Na noite de terça-feira (28), Jainy Chaves e Beatriz Soares foram mortas em uma propriedade rural às margens da GO-320, em Goiatuba. No mesmo dia, em Trindade, Jéssica Cristina Barbosa foi esfaqueada pelo companheiro e segue internada após sobreviver a uma tentativa de feminicídio.
Casos como esses têm se repetido em diferentes municípios goianos e acendido um alerta entre autoridades e especialistas. Dados do Monitoramento Nacional da Violência Contra a Mulher apontam que Goiás registrou um aumento de 113% nos casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado.
Em entrevista à TV Serra Dourada, a psicóloga Bruna Tomazette explicou que esse tipo de crime, na maioria das vezes, não acontece de forma isolada, mas faz parte de um padrão de comportamento que costuma apresentar sinais ao longo da vida do agressor.
“Se a gente observar, muitos desses homens já apresentam um histórico de comportamentos semelhantes. Por isso, é importante conhecer a trajetória da pessoa com quem se está iniciando um relacionamento. Como ela tratava os antigos parceiros? Como reagia diante de frustrações? São detalhes que merecem atenção, porque esse padrão tende a se repetir. Além disso, muitos desses homens não conseguem regular as próprias emoções e, após cometerem o crime, chegam até a tentar contra a própria vida”, explica.
Segundo a especialista, o feminicídio está frequentemente relacionado a uma relação de posse, em que o agressor não consegue lidar com a rejeição ou com o término do relacionamento.
“A partir do momento em que a pessoa perde o controle emocional, ela passa a enxergar a parceira como uma posse. Quando acredita que perdeu esse controle, sente que perdeu tudo. É um pensamento baseado na ideia de que, sem aquela pessoa, a vida não faz mais sentido. Essa relação de posse excessiva é um dos principais fatores por trás desses crimes”, afirma.
Há como evitar?
Para Bruna Tomazette, a procura por ajuda psicológica pode ser decisiva quando a própria pessoa reconhece que está tendo pensamentos violentos ou não consegue controlar as emoções.
“Quando a pessoa busca esse apoio, significa que ela quer recursos para melhorar. Quando pede ajuda, aumenta muito a chance de recuperação, porque demonstra que realmente deseja mudar esse padrão de comportamento. Também é fundamental entender a origem dessa agressividade. Ela pode estar relacionada a um histórico familiar, a transtornos psiquiátricos ou a outros fatores que precisam ser avaliados individualmente.”
Quais são os sinais?
A psicóloga orienta que as mulheres observem atentamente comportamentos que possam indicar um relacionamento abusivo, principalmente no início da convivência.
“É importante se perguntar: essa relação me faz sentir medo? Eu me sinto segura ao lado dessa pessoa? Esse comportamento agressivo é frequente? Se a resposta for sim, é fundamental buscar ajuda o quanto antes. Outro sinal muito comum é o isolamento. Muitos agressores afastam a mulher de amigos e familiares justamente para enfraquecer sua rede de apoio e dificultar que ela rompa o ciclo da violência”, conclui.