O Ministério Público de Goiás (MP-GO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (11), a Operação Simulatio, que investiga uma suposta organização criminosa especializada em fraudes a licitações e contratações diretas por meio de atas de adesão fraudulentas. Segundo o órgão, o esquema teria provocado dano aos cofres públicos e gerado enriquecimento ilícito superior a R$ 14 milhões.
Ao todo, foram expedidos três mandados de prisão preventiva, quatro medidas de afastamento de cargos públicos e 44 mandados de busca e apreensão. As ordens foram autorizadas pelo 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia.
As diligências são realizadas em residências, empresas e órgãos públicos de 14 municípios de Goiás: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira, Inhumas, Goianésia, Abadia de Goiás, Rio Quente, Uruaçu, Luziânia e Alexânia. Também há cumprimento de mandados em São Paulo e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo.
A operação reúne 40 promotores de Justiça de Goiás e conta com o apoio da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil de São Paulo (PC-SP).
Como funcionaria o esquema
De acordo com as investigações, o alvo principal é um grupo empresarial sediado em Goiás que, por meio de diferentes empresas, teria interferido na fase interna de processos de contratação pública. Os procedimentos tinham como finalidade a aquisição, montagem e instalação de estruturas modulares destinadas, principalmente, a unidades escolares municipais e redes de assistência social.
Segundo o MP-GO, a empresa apontada como beneficiária do suposto esquema recebeu mais de R$ 88,3 milhões em valores liquidados pelos cofres públicos estaduais e municipais entre 2015 e 2025.
Além dos integrantes do núcleo empresarial, também são investigados gestores e servidores públicos de diferentes municípios goianos. Eles são suspeitos de terem contribuído ou facilitado contratações direcionadas, com possível fraude ou prejuízo ao caráter competitivo dos processos licitatórios.
As apurações apontam ainda que o grupo teria recorrido a diferentes empresas para manipular etapas internas das licitações e viabilizar contratos previamente direcionados. Uma das estratégias investigadas seria o uso irregular de atas de adesão para formalizar as contratações.
Os mandados estão sendo cumpridos nos municípios de Goiás e nas cidades paulistas incluídas na operação. Computadores, documentos, celulares e outros materiais eventualmente apreendidos durante as buscas deverão ser analisados pelo Ministério Público e poderão contribuir para o avanço das investigações.