Era para ser apenas mais uma noite em uma conveniência de Formosa, mas a abordagem de um homem de 34 anos terminou em denúncia de agressão contra um policial militar. Segundo o relato da vítima, ele foi atingido com chutes, socos e golpes com a coronha de uma arma durante a ação, ocorrida no último sábado (08), no Setor Formosinha.
Imagens obtidas pela TV Serra Dourada registraram parte da abordagem. Nas gravações, um policial aparece se aproximando do homem e, em determinado momento, desferindo tapas e chutes contra ele. Em outra sequência, o militar teria atingido as pernas e as costas do rapaz, que quase caiu.
Dias depois, um exame da Polícia Técnico-Científica identificou lesões recentes em diferentes partes do corpo do homem, incluindo cabeça, costas, abdômen e joelho.
A denúncia começou a ser formalizada ainda no sábado. Conforme o relato apresentado à Polícia Civil, a irmã da vítima procurou a delegacia e contou que o homem havia sido agredido por um policial militar quando deixava a Conveniência Reis.
Segundo a mulher, outros policiais teriam ido posteriormente até a residência do proprietário do estabelecimento e pedido que a ocorrência não fosse registrada. Ela também afirmou que a vítima estava intimidada e tinha medo de sofrer represálias, razão pela qual inicialmente não queria procurar a polícia. O caso foi registrado como lesão corporal dolosa.
Na segunda-feira (10), ele foi até o 16º Batalhão da Polícia Militar, em Formosa, acompanhado de um advogado, para prestar uma nova declaração sobre o episódio.
Ele relatou que estava na conveniência localizada na Avenida 2, ajudando o irmão, proprietário do estabelecimento. O comércio já estava fechado, mas algumas pessoas ainda permaneciam no local quando uma equipe da Guarda Municipal chegou e determinou que todos colocassem as mãos na parede.
Na versão apresentada pelo homem, duas viaturas da Polícia Militar chegaram posteriormente. Ele afirmou que já estava encostado na parede quando um dos militares teria começado a agredi-lo com chutes nas pernas, socos nas costas e um tapa no rosto.
A vítima também relatou que o policial teria pegado um cigarro que estava no chão e o esfregado contra sua boca.
A denúncia inclui ainda a alegação de agressões com uma arma de fogo. Segundo ele, o mesmo teria recebido golpes com a coronha na cabeça e nas costas. O homem afirmou que chegou a questionar o policial sobre o motivo das agressões.
Ainda de acordo com o relato, o homem conseguiu identificar o militar que teria praticado as agressões. Ele afirmou também que um segundo policial, cuja identidade não soube informar, teria pedido ao colega que interrompesse os golpes.
O homem informou que possui imagens das câmeras de segurança da conveniência e manifestou interesse em apresentar as gravações para serem anexadas ao procedimento.
Laudo aponta lesões
No mesmo dia da ocorrência, a vítima passou por exame na Coordenação Regional de Polícia Técnico-Científica de Formosa. O documento registra que ele estava lúcido e orientado, mas apresentava dificuldade para caminhar.
Durante o exame, ele relatou dores na cabeça, nas costas e nas pernas. Aos peritos, afirmou ter sido agredido com socos, chutes, coronhadas e joelhadas, principalmente na cabeça, no tórax, no abdômen e nos membros inferiores.
A perícia identificou dois edemas na região posterior esquerda da cabeça, cada um com aproximadamente dois centímetros. Também foram encontradas três escoriações lineares na axila direita, com cerca de 3,5 centímetros cada.
O exame registrou ainda edema na região da escápula esquerda, nas costas, uma escoriação na região abdominal esquerda acompanhada de equimose e outra escoriação no joelho direito. Fotografias anexadas ao laudo documentam parte das lesões.
Na conclusão, o médico responsável apontou que ele apresentava “lesões recentes causadas por meio de ação contundente”. O documento também informa que, em relação às lesões identificadas naquele momento, não havia previsão de sequelas nem necessidade de afastamento das atividades habituais.
Atendimento hospitalar
O homem também foi atendido no Hospital Estadual de Formosa. Segundo o resumo de alta, ele deu entrada na unidade às 20h07 do dia 8 de agosto e permaneceu no hospital por aproximadamente três horas.
O diagnóstico registrado foi de trauma contuso secundário a agressão física, com contusão no ombro e na região escapular esquerda, além de contusão na coxa e no joelho direitos e escoriação na região lombar esquerda.
Foram realizadas radiografias do ombro esquerdo, da articulação do quadril, do fêmur e do joelho direitos. Conforme o prontuário, não foram identificadas evidências de lesões ósseas agudas.
Após receber medicação, o paciente apresentou melhora da dor e recebeu alta consciente, orientado e sem déficit neurológico focal. O hospital recomendou repouso relativo, uso dos medicamentos prescritos e retorno imediato ao pronto-socorro em caso de piora da dor, confusão, desmaio, vômitos ou outras alterações.
PM abre procedimento
O caso foi levado tanto à Polícia Civil quanto à estrutura interna da Polícia Militar. Na declaração prestada no 16º BPM, Edmilson informou que pretende apresentar as imagens das câmeras de segurança da conveniência para auxiliar na apuração.
Em nota, a Polícia Militar de Goiás informou que tomou conhecimento das imagens e abriu um procedimento para investigar a conduta dos policiais que atuavam em apoio à Guarda Municipal durante a ocorrência.
A corporação afirmou que não tolera qualquer tipo de desvio de conduta por parte de seus integrantes e declarou que o caso será apurado com rigor, transparência e imparcialidade. Segundo a PM-GO, após a conclusão da investigação, serão adotadas as medidas cabíveis.
Até o momento, não foi apresentada a versão do policial apontado pela vítima, nem há conclusão administrativa ou criminal sobre as circunstâncias da abordagem. Também não consta, nos documentos analisados, informação sobre eventual afastamento do militar ou resultado da investigação.