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Até R$ 7 mil por mês: trancistas revelam rotina intensa e desafios da profissão em Goiânia

Em entrevista ao TVSD Notícias, empresária revela dificuldades e perspectiva para o negócio
Até R$ 7 mil por mês: trancistas revelam rotina intensa e desafios da profissão em Goiânia
(Foto: Reprodução)

Da porta para fora do salão, enquanto as clientes saem exibindo os diferentes modelos de trança, estão as trancistas, profissionais que dedicam a rotina à produção dos mais variados estilos. Embora o procedimento possa parecer simples, o trabalho é cercado de técnica, dedicação e, principalmente, disposição, já que as profissionais podem passar até 16 horas realizando as técnicas.

Em um dos setores mais nobres da capital, no Jardim Goiás, está o Studio Afro Braids. Localizado na Avenida Deputado Jamel Cecílio, o espaço é uma das referências no segmento e recebe clientes de dentro e de fora do estado.

A rotina começa cedo e segue de segunda a segunda. O espaço conta com 11 colaboradoras fixas, responsáveis pelo atendimento das clientes. A média é de pelo menos uma cliente por profissional, de acordo com a proprietária do estabelecimento, Graciane Caroline Severino Palheta.

“Eu atendo todos os dias. Por mais que eu seja a dona, eu atendo todos os dias, assim como as meninas. Cada cadeira dessas [mostra] é de uma menina. Então, cada menina atende às vezes duas ou mais clientes por dia e todos os dias. A gente atende, não para”, reforça ao TVSD Notícias.

Cada atendimento dura, em média, oito horas, mas pode chegar a 10 horas, dependendo do modelo escolhido e da prática de cada profissional.

Apesar da rotina puxada, a remuneração é um fator atrativo. Graciane revela que a média de ganhos de uma trancista varia entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.

“Quem está comigo hoje ganha uma faixa de R$ 5 mil, R$ 6 mil, R$ 7 mil. Em mês fraco, é cerca de R$ 4 mil. Ganha muito dinheiro porque não é algo que é escasso, mas é algo cansativo”, diz.

Escassez de profissionais habilitadas

O ponto considerado o “calcanhar de Aquiles” é, principalmente, a falta de profissionais aptas para atender à demanda do mercado.

Segundo Graciane, por se tratar de uma profissão que exige longas horas de trabalho e prática para a realização das tranças, poucas pessoas demonstram interesse em permanecer ou ingressar na área.

“Para trabalhar com isso, tem que ser jovem e tem que ter energia, mas muitas meninas que são jovens não têm disposição para isso. Imagina comigo, você pega uma menina nova e fala: ‘Ó, você vai trabalhar aqui, chegar 8h e vai embora umas 22h’. É um procedimento demorado. Não é um procedimento que você vem 8h e vai embora 12h ou 13h. Você vai chegar 8h e vai embora, às vezes, 10h. […] As meninas que eu estou hoje, elas são fora da curva, têm uma mentalidade de crescimento e tal, mas é difícil, não é fácil”, afirma.

A demanda, por sua vez, não diminui. Segundo ela, mesmo em agosto, a agenda para dezembro já está aberta e conta com clientes interessadas.

“No final de ano mesmo, a agenda agora já está aberta para dezembro, porque as clientes que são de casa, se elas não agendam agora, ficam sem. É muita gente querendo e pouca profissional. Então, é muita demanda para pouca profissional, porque não é uma profissão fácil”, destaca.

Trajetória

Natural de Tucumã, no Pará, Graciane conta que começou a atuar na área há cerca de 10 anos, após desenvolver transtornos pós-traumáticos enquanto trabalhava em uma instituição financeira.

Diante da situação, ela precisou receber auxílio do INSS durante um período. Foi nessa época que o segmento de tranças começou a fazer parte da trajetória profissional.

“Quando eu estava nessa situação, a minha irmã falava assim: ‘Ah, por que você não vem para o estúdio?’. Aí teve um dia que eu fui ajudar. Tinha até uma festa na cidade e eu comecei a fazer maquiagem e penteados. Foi nesse dia que me deu um estalo. […] No final do dia, eu ganhei, tipo, um salário inteiro que eu ganhava no mês todo no banco. Pensa, eu ganhei no final de semana”, relata.

Na mesma época, ela também passava pela chamada transição capilar, período em que deixou de utilizar produtos químicos no cabelo, e começou a usar tranças, o que chamou a atenção de outras pessoas.

“Eu dei uma volta na cidade e todo mundo queria porque não tinha trancista. As pessoas perguntavam: ‘Nossa, onde você fez? Com quem você fez?’. Eu falava: ‘Olha, fui eu, mas assim, eu não tenho experiência’. E as meninas: ‘Não interessa, eu quero fazer, pelo amor de Deus, faz no meu’. Aí comecei, fiz em uma, que mostrou para a prima, que fez na outra. Que mostrou para a prima, que veio, aí foi indo”, conta.

O começo da carreira também foi marcado por desafios. Segundo Graciane, a jornada começava por volta das 7h e terminava apenas entre meia-noite e 1h, dependendo da demanda.

“Eu atendia duas vezes, começava às 7 da manhã, daí eu não almoçava, nem tomava café, às vezes tomava um lanchinho e parava às vezes meia-noite, uma hora da manhã. E isso eu fiz mais um ano, um ano e pouquinho”, diz.

Depois de se mudar para Goiânia, ela começou a atender em casa e, posteriormente, abriu o estúdio no Jardim Goiás.

“Quando a gente abriu aqui, nos primeiros meses, quase todos os dias, tínhamos que explicar para quem vinha que aqui não era um salão de escova.”

Questionada sobre os planos para o futuro, a empresária afirma que não tem pressa para expandir o negócio e prefere permanecer no atual endereço por enquanto.

“Eu fico muito feliz [com onde estamos], porque já teve meninas que passaram por mim, que moravam em lugar e iam a pé e não tinham tantas soluções e que hoje já têm. Fico muito feliz de poder ajudar. Eu vejo que é uma boa ideia [expandir], mas vou ficar só aqui mesmo, por enquanto”, explica.

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