O tempo de espera no pronto-socorro do Hospital Estadual e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Goiânia, caiu aproximadamente 61%, segundo dados divulgados pela própria unidade e obtidos pelo TVSD Notícias. O intervalo médio, que antes chegava a quase duas horas, passou para 47 minutos após a adoção de uma plataforma operacional da MV, healthtech da América Latina.
A mudança ocorreu depois que a ferramenta ajudou a identificar gargalos e permitiu a implementação de medidas para reorganizar os fluxos de atendimento.
Uma das principais alterações envolveu a chegada das gestantes ao pronto-socorro. Antes, elas precisavam realizar o cadastro na recepção antes de passar pela triagem de risco. Com as análises geradas pela plataforma, a unidade passou a priorizar a classificação das pacientes conforme o Protocolo de Manchester, permitindo identificar os casos mais urgentes e agilizar o atendimento médico.
A comunicação entre os profissionais também foi modificada. Segundo Dandara Oliveira, diretora técnica do hospital, foi criado um grupo de plantão com enfermeiras, recepcionistas e médicos para informar, em tempo real, quais pacientes aguardam avaliação. A medida permite reorganizar a equipe e priorizar atendimentos de maior urgência.
O sistema também contribuiu para reduzir a superlotação do pronto-socorro. Entre janeiro e julho de 2026, o índice NEDOCS apresentou queda de 51% às 10h. No período de maior movimento, às 16h, a redução chegou a 61%.
De acordo com Dandara, o monitoramento revelou que parte da aparente superlotação estava relacionada a pacientes que já haviam recebido alta, mas ainda permaneciam ativos no sistema. Com a atualização das altas administrativas em tempo real, os leitos passaram a ser liberados de forma mais eficiente.
A plataforma monitora mais de 50 mil atendimentos mensais nos prontos-socorros, cerca de 15 mil saídas hospitalares e mais de 3.200 leitos. O trabalho envolve equipes multidisciplinares e consultores da MV.
No CRER, outro resultado foi o aumento de 60% na adesão da equipe assistencial às novas diretrizes de gestão. Entre os diretores, o engajamento chegou a 100% após seis meses de projeto.
Para Paulo Magnus, CEO e fundador da empresa, o resultado reforça a importância do uso de dados na gestão hospitalar para antecipar problemas e melhorar a eficiência dos serviços.
“A transformação da saúde passa por uma gestão baseada em dados. Quando os gestores conseguem visualizar as principais dificuldades em tempo real, deixam de atuar apenas de forma reativa e passam a antecipar problemas”, diz.