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“Tudo que eu queria era acabar com aquele filme de terror, porque ali eu não ia sair viva”, diz vítima após ser atropelada duas vezes por ex-companheiro, em Aparecida de Goiânia

Mulher de 26 anos relata agressões, ameaças e duas tentativas de atropelamento após decidir terminar relacionamento
“Tudo que eu queria era acabar com aquele filme de terror, porque ali eu não ia sair viva”, diz vítima após ser atropelada duas vezes por ex-companheiro, em Aparecida de Goiânia
(Foto: Reprodução)

Um homem identificado como Johnny Araújo Souza está foragido desde o último sábado (26), após ser acusado de agredir e atropelar duas vezes a ex-companheira, de 26 anos, no Setor Finsocial, em Aparecida de Goiânia.

Segundo o relato da vítima, as agressões começaram dentro do carro, depois que ela aceitou uma carona, e continuaram após a fuga do veículo. O caso é investigado como tentativa de feminicídio, e uma medida protetiva foi emitida para impedir a aproximação do acusado.

Em entrevista à TV Serra Dourada, a vítima contou que estava em uma distribuidora com amigas quando começou a receber diversas mensagens e ligações do ex-companheiro.

Depois de prometer que não faria nada contra ela, a jovem aceitou que fosse buscada. Cerca de 37 minutos depois, ele chegou ao local e, segundo o relato, as agressões começaram.

“No meio de entrar no carro com ele, quando já saiu de perto dos meus amigos, ele já começou a me dar soco no rosto, pegou meu cabelo, colocou no meio das pernas e foi do Finsocial até o Garavelo, me batendo no rosto muito”, relatou.

Durante o trajeto, a vítima afirma que pediu diversas vezes para que o agressor parasse.

“Foi um filme de terror, que eu pensava que não ia aguentar. Eu chorava, pedia pra parar, e ele falava pra mim: ‘Ou você volta comigo, ou você me dá um filho’. Até então que ele pegou, me deu um mata-leão, que realmente ele ia me matar de qualquer forma”, contou.

Ainda de acordo com a jovem, uma mulher identificada como Cássia, que teria se apresentado como policial e seria amiga do acusado, participou de uma ligação reproduzida pelo bluetooth do carro. Conforme o relato, durante a chamada, a mulher teria incentivado as agressões.

Sem conseguir pedir ajuda, a vítima conta que precisou mentir para conseguir escapar.

“Eu tive que mentir pra escapar. Aí, quando eu falei que estava grávida… Foi quando ele me soltou e eu tive a oportunidade de sair do carro”, relatou.

Depois de deixar o veículo, a jovem afirma que foi atropelada duas vezes. O primeiro atropelamento teria ocorrido em um ponto que não era registrado pelas câmeras de segurança. Ao perceber que o carro voltava em direção a ela, correu, mas acabou atingida novamente.

“Aí, na hora que eu saio correndo, ele me atropela lá em cima, onde as câmeras não pegaram, e eu caio no asfalto. Quando eu olho, ele está vindo de ré novamente pra me atropelar. Foi quando eu consegui sair correndo e quando aconteceu realmente a fatalidade ali”, descreveu.

As imagens das câmeras registraram parte da ocorrência e ajudaram a mostrar o momento em que a vítima foi atingida pelo veículo.

Após as agressões e os atropelamentos, a jovem foi hospitalizada e, apesar de ter recebido alta, afirma que ficou com dificuldades para movimentar o lado direito do corpo e precisa de ajuda para realizar atividades básicas.

“Até então, o meu lado direito, não consigo mexer, não consigo andar. Tudo eu preciso de ajuda. Para tomar água, eu tenho que tomar água de canudinho”, contou.

Relacionamento já tinha histórico de agressões

Antes do episódio registrado no último sábado, a relação já era marcada, segundo a vítima, por agressões e episódios de violência. Ela contou que chegou a solicitar medidas protetivas anteriormente, mas decidiu retirá-las após acreditar que o relacionamento poderia mudar.

“Era um relacionamento tóxico durante um ano. Muitos ciúmes, tudo pra ele era traição, não aceitava o fim, e no fim quem sempre traía era ele. Mas pra ele eu tinha que ser submissa, aceitar tudo o que ele queria. Até então que eu decidi colocar um ponto final. Já houve duas outras agressões, que eu tinha colocado Maria da Penha… por acreditar, por ouvir palavras bonitas, eu fui lá e retirei a Maria da Penha, e acreditei novamente em estar com ele. Até que então chegou um momento que eu não quis mais, só porque ele não aceitava o fim”, afirmou.

A vítima também relembrou o medo durante o relacionamento e afirmou que chegou a acreditar que não sobreviveria.

“Eram os momentos de terror. Eu achei que eu não ia sobreviver”, relatou.

Mesmo com a medida protetiva, a vítima diz que continua com medo e espera que o caso seja investigado e que o responsável seja localizado.

“Eu sigo com medo mesmo com a medida protetiva, porque o que eu mais quero é ver a justiça sendo feita”, afirmou.

Johnny Araújo Souza é procurado pela polícia e permanece foragido. A identidade da vítima não foi divulgada por questões de segurança.

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