O que deveria ser o retorno tranquilo para casa após uma viagem de 15 dias se transformou em medo e insegurança para Hélio José de Carvalho, de 74 anos, em Formosa. Ao voltar da Bahia, onde estava com a esposa, ele encontrou o imóvel invadido e um homem que se recusava a deixar o local.
Em entrevista à TV Serra Dourada, ele conta que havia viajou para resolver algumas pendências e, ao retornar, encontrou a casa em condições que descreveu como precárias, com objetos e plantas danificados e sinais de que o imóvel havia sido ocupado. Segundo ele, o homem que estava no local chegou a afirmar que só sairia se fosse morto.
Diante da situação, o idoso registrou um boletim de ocorrência. A Polícia foi acionada e realizou a retirada consensual do suspeito. No entanto, o homem procurou o idoso novamente e arremessou pedras contra Hélio, atingido o veículo dele, além de realizar novas ameaças.
“Por sorte ele não me matou”, relatou o idoso.
Hélio afirmou que chegou a ficar com medo de voltar para casa e precisou passar a noite em um posto de combustível.
Em entrevista à TV Serra Dourada, o delegado José Antônio Sena afirmou que o suspeito foi conduzido pelas forças de segurança e confessou as ações durante o procedimento policial. Na audiência de custódia, porém, o homem teria alegado que o imóvel estava abandonado e negado a intenção de machucar o idoso.
Conforme o delegado, o Ministério Público de Goiás (MPGO) considerou a versão apresentada pelo suspeito e entendeu que, diante da alegação de abandono do imóvel, não haveria elementos para caracterizar violação de domicílio. Ainda segundo Sena, também não teria sido reconhecida violência contra a vítima, e a equipe policial foi encaminhada à corregedoria após alegações do conduzido de que teria recebido “cascudos” dos agentes.
O delegado criticou o encaminhamento do caso e questionou a decisão de direcionar os policiais à corregedoria diante das versões apresentadas.
“Agora, colocar um aparato estatal para proteger criminoso é inadmissível”, declarou.
Sena também manifestou indignação com o que considera uma inversão de responsabilidades nas audiências de custódia e afirmou que situações como essa prejudicam o trabalho das forças de segurança.
Abalado com o episódio, Hélio pediu providências das autoridades e demonstrou preocupação com a possibilidade de o suspeito voltar a procurá-lo.
“Eu acho que tem que tomar uma providência. A polícia prendeu ele e ele foi solto. A promotora mandou esse cara embora. Um homem desse não pode estar no meio do cidadão”, afirmou.
O idoso também defendeu o cumprimento da legislação para garantir a segurança da população. “A lei tem que ser cumprida, porque, se não tiver lei, nós vamos viver de que jeito?”, questionou.