Um abrigo clandestino que acolhia crianças de 8 meses a 6 anos foi alvo de uma operação na última quinta-feira (15), no Setor Papillon Park, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. O local funcionava sem autorização e apresentava irregularidades estruturais e sanitárias, segundo a conselheira tutelar Elita Arantes e a equipe da Guarda Civil Municipal (GCM), que participou da fiscalização.
A operação ocorreu após uma denúncia anônima encaminhada ao Conselho Tutelar, que apontava condições precárias e suspeitas de maus-tratos. Durante a vistoria, foram identificados berços próximos a tomadas com fiação exposta, colchões velhos e rasgados, além de sofás sem proteção perto da rede elétrica.
Também foram encontradas louças sujas acumuladas, piso quebrado improvisado como tampa de esgoto, banheira com mofo e um lençol utilizado como porta do banheiro. O imóvel ainda apresentava brinquedos velhos, enferrujados e quebrados, além de lixo acumulado no quintal.
A responsável pelo espaço cobrava entre R$280 e R$700 por criança. Segundo as informações apuradas, alguns responsáveis deixavam até quatro crianças sob os cuidados dela enquanto trabalhavam. A maioria dos pais procurava o local por não ter conseguido vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) do município.
O imóvel não possuía placa de identificação indicando o funcionamento de uma creche.
Em entrevista à TV Serra Dourada, Carla, dona do abrigo, reconheceu que o espaço não era legalizado, mas negou as acusações de maus-tratos.
“expliquei que o que estava acontecendo era inverdade, teve muita inverdade no caso, né, e agora vai ser feita aí a conclusão do caso vão ver onde vai me enquadrar, vão apurar”
A responsável também afirmou que o atendimento começou de maneira informal, dentro da própria casa.
“porque não tinha maus tratos, realmente eu não sou legalizada, eu não abri uma creche, eu comecei com uma criança na minha casa, onde foi aparecendo várias crianças…”, diz Carla.
Carla contestou ainda o número de crianças informado inicialmente e justificou o aumento da demanda pelo fechamento temporário de unidades de ensino.
“Foi dito também que eu tinha 30 crianças, inverdade, eu tinha 22 crianças, porque essa semana os cmeis e escolas municipais estão fechadas, os pais não tinham onde deixar os filhos pra trabalhar, e sempre eu sou o socorro dos pais que não tem com quem deixar seus filhos “, relata.
Apesar de admitir que o imóvel não tinha condições adequadas para o atendimento, ela voltou a negar a ocorrência de violência contra as crianças.
“Aqui, realmente, eu não tenho estrutura, estrutura eu não tenho, mas maus tratos, não. Aqui tem muito amor”
O advogado Silas Júnior, que representa Carla, também defendeu a atuação da cliente e afirmou que o espaço prestava apoio a famílias que enfrentam dificuldades para conseguir vagas na rede municipal de educação infantil.
“Ela trata sempre essas crianças com amor e carinho, e o que ela apresenta aqui é um suporte para todos os pais que não conseguem vagas no cmei”
O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes.