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Detento é torturado por três horas e morto por outros oito presos dentro de presídio, em Uruaçu

Suspeitos limparam a cena e ameaçaram outros detentos para esconder o homicídio
Detento é torturado por três horas e morto por outros oito presos dentro de presídio, em Uruaçu
(Foto: Reprodução)

Um detento foi torturado por cerca de três horas e morto por outros oito presos dentro de um presídio em Uruaçu, no norte de Goiás. Segundo a Polícia Civil, a motivação apontada pelos suspeitos seria uma suposta agressão da vítima contra a própria avó. No entanto, a apuração identificou que o homem havia sido condenado por matar um casal, sendo que a mulher estava grávida. A investigação foi realizada pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) de Uruaçu.

Em entrevista à TV Serra Dourada, o delegado Peterson Amim, responsável pelo caso, classificou como um crime de extrema violência e destacou a atuação dos envolvidos após o homicídio.

“Foi um crime extremamente bárbaro que aconteceu lá no presídio. E o mais chocante disso tudo é que além da barbaridade que o crime foi praticado, os detentos que fizeram isso, ao final foram indiciados e presos ali em flagrante delito, oito pessoas”

Durante as agressões, a vítima foi espancada, enforcada e submetida a afogamentos sucessivos. De acordo com a investigação, os autores teriam alegado que cometeram o crime porque o detento havia agredido a avó. A justificativa, porém, não condiz com as informações apuradas pela polícia sobre a condenação anterior da vítima.

Após o homicídio, os oito presos limparam a cena do crime e ameaçaram outros detentos para que não contassem o que havia acontecido. Eles também tentaram fazer com que os demais acreditassem na versão de que a vítima teria caído da cama.

A primeira hipótese levantada era de morte acidental. No entanto, os vestígios encontrados no local ajudaram a esclarecer o que aconteceu. Segundo o delegado, a perícia identificou sinais que contradiziam a versão inicial apresentada sobre a morte.

“Só que, pelas investigações, até pela própria perícia feita ali no local do crime, o preso estava com a boca cheia d’água por conta das torturas ali que ele teria sofrido”

Ainda conforme Peterson Amim, os suspeitos utilizaram cobertores para abafar os sons durante as agressões. O método foi chamado pelos próprios envolvidos de “Kinder Ovo”.

“durante a prática da tortura, os presos que praticaram esse homicídio, eles fizeram o que eles denominaram de ‘kinder ovo’. Então, eles embrulharam a vítima mais ou menos com oito cobertores ali. Então, qualquer tipo de som que ele teria feito foi abafado por conta do meio praticado ali para poder fazer esse homicídio.”

Para esclarecer o caso, a Polícia Civil ouviu testemunhas e policiais penais, interrogou os suspeitos e analisou laudos laboratoriais, exames de corpo de delito e objetos utilizados nas agressões. A autópsia apontou que a vítima morreu por asfixia decorrente de submersão em líquido, descartando a versão inicial de morte acidental.

Ao final das investigações, os oito envolvidos foram indiciados por homicídio qualificado e fraude processual. O homicídio foi qualificado por motivo torpe, pelo emprego de tortura e pelo uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. Já a fraude processual está relacionada à tentativa de alterar a cena do crime para enganar as autoridades e dificultar a investigação.

Os oito investigados já estavam presos por outros crimes e, após o avanço das apurações sobre o homicídio, foram presos em flagrante. A Justiça converteu as prisões em preventivas, e eles continuam detidos pelos novos crimes, além das condenações ou acusações anteriores.

“Eles foram presos, autuados em flagrante e continuam presos preventivamente além da prática dos crimes que eles cometeram, agora também por esses dois crimes”

Com a conclusão do inquérito policial, a Polícia Civil encaminhou o caso ao Poder Judiciário para análise do Ministério Público, que poderá avaliar as medidas judiciais cabíveis.

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