Uma denúncia divulgada nas redes sociais por uma familiar de um atleta de 13 anos, que integra as categorias de base do Atlético-GO, aponta que o adolescente teria sido vítima de assédio durante um campeonato realizado em Itapetininga, no interior de São Paulo.
O caso veio a público na última segunda-feira (26), por meio de um vídeo publicado por Camila Marques, madrasta do jovem. Segundo ela, o adolescente foi convidado a representar o clube goiano em uma competição fora do estado e chegou ao município paulista no dia 11 de janeiro, acompanhado por uma funcionária da família.
Conforme o relato, o garoto ficou hospedado em um alojamento com aproximadamente 40 crianças. Nesse período, ele teria sido abordado por um homem identificado como Wagner, que se apresentou como diretor do Atlético-GO.
Ainda de acordo com Camila, na manhã seguinte o treinador da equipe entrou em contato relatando um desentendimento envolvendo os atletas e a mulher responsável por acompanhá-los. O adolescente contou que, durante a madrugada, um motorista de ônibus ligado ao clube teria entrado no alojamento de forma inesperada.
“Estávamos dormindo quando um homem entrou alterado, fumando, usando uma lanterna no rosto da Jane, perguntando quem ela era e mandando que saísse do local”, teria relatado o jovem à madrasta.
Após o ocorrido, Camila orientou que o enteado e a funcionária deixassem o alojamento e fossem para um hotel. No entanto, segundo ela, o treinador teria afirmado que o atleta poderia ser retirado da competição caso isso acontecesse.
Depois da confusão, um novo local de hospedagem foi disponibilizado, no salão paroquial de uma igreja da região. Foi nesse espaço que, conforme a denúncia, o episódio de assédio teria ocorrido.
Camila afirma que o adolescente foi abordado por um homem que atuava como cozinheiro, com idade estimada entre 30 e 40 anos, que teria feito comentários sobre o corpo do menor e dormido no chão do alojamento. O mesmo indivíduo também teria seguido o garoto até o banheiro.
A vítima conseguiu se trancar em uma das cabines e gravou parte da conversa. Em seguida, relatou o ocorrido aos pais. “Foram cerca de sete minutos de áudio de um adulto tentando convencer o meu filho de que estava tudo bem ele permanecer ali. Ele estava muito assustado, com medo de sair da cabine, sem saber se o homem estava armado, até conseguir correr para a sala”, relatou Camila.
Ela também declarou que o homem que se apresentou como diretor teria feito ameaças para que o adolescente não revelasse o episódio a ninguém.
Em nota encaminhada à imprensa, o Atlético Clube Goianiense afirmou que repudia veementemente qualquer atitude de cunho homofóbico, racista, machista ou xenofóbico, além de condenar todo tipo de assédio moral ou sexual contra crianças e adolescentes.
O clube destacou ainda que os fatos relatados teriam ocorrido fora de suas dependências e informou que, ao tomar conhecimento das denúncias feitas pela responsável legal do menor — que envolvem relatos de assédio, retirada de alojamento e condutas inadequadas de terceiros —, adotou medidas imediatas.
Leia a nota completa:
“O Atlético Clube Goianiense vem a público manifestar-se sobre o vídeo e os relatos que circulam nas redes sociais envolvendo um atleta menor de idade, residente no Rio de Janeiro, que participou recentemente de um torneio no interior de São Paulo.
Diante da gravidade das denúncias apresentadas, o Clube julga necessário esclarecer os fatos e reiterar seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes:
Posicionamento Institucional: O Atlético Goianiense repudia, com a máxima veemência, quaisquer atitudes de cunho homofóbico, racista, machista ou xenofóbico, e condena abominavelmente qualquer forma de assédio moral ou sexual contra crianças e adolescentes. Tais comportamentos são inadmissíveis e não representam, em hipótese alguma, os princípios que regem este Clube.
Da Responsabilidade pela Delegação: O Atlético Goianiense esclarece que o convite para o atleta disputar a referida competição partiu de umas das suas escolinhas franqueadas, sendo que o responsável legal por esta unidade estava presente no local e acompanhando a delegação. Embora o Clube não possua ingerência administrativa direta sobre a gestão cotidiana das unidades franqueadas, inclusive participação em torneios, exigimos destas parceiras o mais alto padrão de cuidado, segurança e respeito no trato com menores de idade, condizente com a história e os valores da nossa instituição.
Do Acolhimento à Família: Ao tomar conhecimento das denúncias narradas pela responsável pelo menor, que envolvem relatos de assédio, expulsão de alojamento e condutas inapropriadas por parte de terceiros, o Atlético Goianiense agiu prontamente. O Clube designou-o seu Vice-Presidente Executivo, bem como toda a estrutura do seu Departamento de Psicologia, para atuar na apuração dos fatos, acolher a família e prestar todo o suporte necessário neste momento delicado.
Compromisso com a Justiça: É importante ressaltar que os fatos relatados ocorreram fora das dependências do Atlético Goianiense, especificamente em um alojamento disponibilizado pela organização do torneio no interior do Estado de São Paulo. No entanto, isso não exime o nosso compromisso com a verdade. O Clube assegura que não poupará esforços para buscar o total esclarecimento do ocorrido e auxiliará as autoridades competentes na responsabilização criminal e civil de qualquer pessoa, seja ela ligada a uma franquia, à organização do evento ou terceiros, que tenha causado danos emocionais, físicos ou morais ao menor e sua família.
O Atlético Goianiense reafirma sua solidariedade ao atleta e seus familiares e continuará acompanhando o caso com o rigor que a situação exige.
Atlético Clube Goianiense”


