Gestores escolares são suspeitos de usar verbas da educação em jogos virtuais

Gestores escolares são suspeitos de usar verbas da educação em jogos virtuais

Ao menos 15 escolas da rede estadual de ensino de Goiás estão sob investigação por possíveis desvios de recursos públicos. As suspeitas recaem sobre gestores que teriam usado o dinheiro das unidades escolares para custear apostas on-line, incluindo jogos virtuais populares como o chamado “Tigrinho”.

A informação foi divulgada pela secretária de Estado da Educação, Fátima Gavioli, durante entrevista ao Mais Goiás. Segundo ela, os indícios surgiram a partir de auditorias internas realizadas pela própria pasta, além de denúncias encaminhadas por membros da comunidade escolar.

As apurações seguem tanto na esfera administrativa quanto na criminal. Conforme explicou a secretária, diretores e assessores financeiros são investigados por supostamente utilizarem senhas de acesso às contas bancárias das escolas para retirar valores de forma irregular.

Embora ainda não haja confirmação definitiva de que os recursos tenham sido usados exclusivamente em apostas on-line, essa é uma das principais linhas de investigação. De acordo com Gavioli, o comportamento financeiro dos suspeitos reforça essa hipótese, uma vez que alguns deles teriam recorrido a diversos empréstimos bancários antes da retirada dos recursos das contas das unidades.

“Os relatos colhidos até agora apontam que o dinheiro foi direcionado para jogos virtuais”, afirmou a secretária.

Por tramitar sob sigilo, os processos não têm detalhes divulgados. Ainda assim, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) confirmou que já há ocorrências registradas neste ano.

Gavioli ressaltou que, apesar do impacto dos casos, o número de ocorrências ainda é considerado reduzido. No entanto, ela demonstrou preocupação com a disseminação dos jogos de apostas, especialmente entre os jovens.

“Se não houver um enfrentamento efetivo, corremos o risco de ter uma geração inteira profundamente envolvida com jogos”, alertou.

A secretária também explicou que, sempre que há indícios de desvio de recursos, os repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) são imediatamente suspensos para a unidade escolar investigada, como medida preventiva.

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