Deputados estaduais aprovaram, na quinta-feira (26), o reajuste das pensões concedidas às vítimas do acidente radiológico com o Césio-137.
O texto atualiza os valores pagos aos beneficiários que atuaram na descontaminação da área afetada, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas diretas do acidente.
Com a mudança, o valor da pensão passa de R$ 1.908 para R$ 3.242 no caso de pessoas que receberam irradiação superior a 100 rad. Já os demais beneficiários terão o benefício reajustado de R$ 954 para R$ 1.621.
Os valores não eram corrigidos há sete anos. Agora, o projeto de lei segue para sanção do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), autor da proposta.
Ao todo, pouco mais de 600 pessoas têm direito à pensão vitalícia. Apesar da aprovação, os critérios de concessão permanecem inalterados.
Relembre o caso
Considerado o maior acidente radiológico fora de uma usina nuclear no mundo, o episódio ocorreu em setembro de 1987, em Goiânia, e voltou a ganhar repercussão após o lançamento da série “Emergência Radioativa”, da Netflix.
O acidente teve início quando dois homens invadiram o prédio abandonado que abrigava o antigo Instituto Radiológico de Goiânia. No local, encontraram um equipamento contendo material radioativo.
Sem saber do risco, eles venderam o aparelho a um ferro-velho no dia 13 de setembro. O dono do estabelecimento, Devair Ferreira, abriu o equipamento para aproveitar o chumbo do revestimento.
Dentro da cápsula, havia um pó de coloração azulada e luminosa, o que chamou a atenção. Encantado com o material, ele levou parte da substância para casa.
Dias depois, Devair, a companheira, Maria Gabriela, e outras pessoas que tiveram contato com o material começaram a apresentar sintomas de contaminação por radiação, como náuseas, vômitos, tontura e diarreia.
Entre os atingidos estava Leide das Neves, de 6 anos, uma das primeiras a manifestar sintomas graves. A contaminação só foi identificada 17 dias após a abertura da cápsula.
Quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da exposição, e outras mortes foram registradas nos anos seguintes. O acidente foi classificado como nível 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, que vai de 0 a 7.
A descontaminação gerou cerca de 13,5 mil toneladas de lixo radioativo, armazenadas em contêineres e enterradas sob estruturas de concreto e chumbo, em Abadia de Goiás.
Mais de mil pessoas foram expostas, e dezenas ficaram com sequelas permanentes.
Como desdobramento judicial, cinco pessoas foram condenadas por homicídio culposo, devido à forma como o equipamento foi abandonado. As penas, de 3 anos e 2 meses em regime aberto, foram posteriormente convertidas em prestação de serviços comunitários. Em 1999, a ação penal foi arquivada.