A morte de Thiago Reis Dias, de 23 anos, goleiro do Trindade Atlético Clube, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), reacendeu o debate sobre a ocorrência da doença entre pessoas com menos de 45 anos.
Em entrevista à TV Serra Dourada, a neurologista Lorena Bochenek explicou que os jovens também podem ser acometidos pelo problema e destacou a importância de reconhecer os sinais.
Segundo a médica, os sintomas de um AVC surgem de forma súbita. Um exemplo é quando uma pessoa está falando normalmente e, de repente, passa a apresentar dificuldade para se comunicar.
De acordo com Lorena, esse pode ser um sinal de que o sangue não está chegando adequadamente a uma região do cérebro responsável pela fala.
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo não chega de maneira adequada a determinada região do cérebro. Isso pode acontecer devido à obstrução de uma artéria ou a alterações relacionadas ao funcionamento do coração. Como o cérebro é responsável por comandar diferentes funções do organismo, a área afetada pode deixar de desempenhar determinada função de forma repentina.
“É uma alteração súbita. É um braço que não mexe, é a voz que não sai, é uma visão que, de repente, subitamente, você perde”, explica Lorena.
Além da dificuldade para falar ou da perda de força em um dos lados do corpo, outro sinal de alerta é uma alteração repentina no equilíbrio. A pessoa pode apresentar uma tontura diferente, dificuldade para caminhar em linha reta ou até parecer estar embriagada, mesmo sem ter consumido bebida alcoólica.
A principal característica, segundo a neurologista, é justamente o surgimento repentino dos sintomas.
Por isso, diante de qualquer um desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. O intervalo entre o início dos sintomas e a chegada ao hospital é determinante para o tratamento.
De acordo com Lorena, em casos específicos de AVC, existe uma medicação que pode ser administrada pela veia e ajudar a reduzir as chances de sequelas. O tratamento, porém, precisa ser iniciado dentro de uma janela de até quatro horas e meia após o início dos sintomas.
“Identificando e fazendo o diagnóstico do AVC, eu posso receber essa medicação que tem pelo SUS, assim como na rede privada, pela veia. E aí tem grandes chances de não ficar com as sequelas daquele AVC”, afirma a neurologista.
Fatores de risco
A ocorrência de AVC em pessoas mais jovens pode estar relacionada a diferentes fatores. Entre eles estão doenças que, muitas vezes, ainda não foram diagnosticadas ou não estão controladas, como hipertensão, diabetes e colesterol alto.
A pressão alta, por exemplo, pode permanecer sem sintomas e ser descoberta apenas durante um atendimento médico. Por isso, a neurologista destaca a importância do acompanhamento preventivo, inclusive entre os mais jovens.
O colesterol elevado também pode estar relacionado a fatores genéticos, e não apenas à alimentação. Segundo Lorena, pessoas com predisposição podem apresentar níveis elevados mesmo mantendo uma alimentação considerada saudável.
Já o diabetes com glicemia descontrolada pode provocar alterações nas paredes das artérias e aumentar o risco de AVC.
“A gente tem que entender o seguinte: o AVC é a ponta do iceberg. Ele é um sinal de que alguma outra doença não está bem controlada”, explica.
Outros fatores também podem aumentar o risco, como obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e uso de drogas ilícitas e substâncias psicoestimulantes, que podem interferir no funcionamento do coração.