O cantor Amado Batista passou a integrar a “lista suja” do trabalho escravo após fiscalização identificar irregularidades em propriedades localizadas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia. O Governo Federal atualizou o cadastro na segunda-feira (06).
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a equipe encontrou trabalhadores em condições precárias. Eles dormiam em colchões no chão, sem camas ou roupas adequadas, e não tinham armários para guardar pertences. Além disso, o local não oferecia estrutura mínima para refeições e apresentava problemas de higiene.
A Polícia Civil de Goiás iniciou a investigação após denúncia, e a fiscalização ocorreu entre os dias 19 e 29 de novembro de 2024. Durante a ação, os agentes identificaram 14 trabalhadores em condições análogas à escravidão em duas propriedades vizinhas: o Sítio Esperança, com 10 pessoas, e o Sítio Recanto da Mata, com quatro.
Segundo o MTE, os trabalhadores enfrentavam jornadas que chegavam a até 18 horas diárias. Na área de cultivo de milho, uma empresa terceirizada contratou operadores de máquinas. Alguns relataram que trabalharam por cerca de dois meses sem registro formal e sem receber salários.
Inicialmente, a fiscalização não identificou problemas na área de produção de leite. No entanto, após análise mais detalhada, os agentes também verificaram jornadas exaustivas nesse setor.
O que diz a defesa
A defesa de Amado Batista contesta as acusações mais graves e afirma que não houve resgate de trabalhadores. Segundo o advogado, as irregularidades ocorreram em uma área arrendada e envolveram funcionários de uma empresa terceirizada.
Ainda conforme a defesa, o cantor assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT após a fiscalização e quitou todas as obrigações trabalhistas. Além disso, ele realizou melhorias nas estruturas das propriedades.
O que é a “lista suja”
O Governo Federal mantém a “lista suja” como um cadastro público de empregadores que exploram trabalhadores em condições degradantes ou análogas à escravidão. Após concluir o processo administrativo, o governo inclui os nomes no documento para garantir transparência e controle social.