Em julho de 2025, o delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, teve a vida transformada após sofrer um grave acidente na GO-330, entre Leopoldo de Bulhões e Silvânia, que o deixou tetraplégico. Pouco mais de sete meses depois, o que parecia um quadro definitivo pode ganhar nova perspectiva. Isso porque ele recebeu polilaminina, substância experimental utilizada em pesquisas para o tratamento de lesões medulares.
De acordo com a TV Anhanguera, o acesso ao composto foi possível após decisão judicial. Com isso, ele se tornou o primeiro goiano a receber o tratamento.
Segundo Leonardo, a aplicação teve início em janeiro deste ano, no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). O procedimento foi realizado por uma equipe do Rio de Janeiro, onde a pesquisa é desenvolvida. Na sequência, o delegado foi encaminhado para reabilitação intensiva.
“A aplicação foi feita aqui mesmo, pela equipe do Rio de Janeiro, composta por neurocirurgiões e pesquisadores habilitados. Em seguida, o paciente seguiu com a reabilitação”, afirmou o diretor da unidade, Alan Anderson Fernandes de Oliveira, à TV Anhanguera.
De acordo com o gerente de Reabilitação Física e Visual do Crer, Eduardo Carneiro, apesar do potencial de melhora da substância, é fundamental que o tratamento esteja aliado a um processo intensivo de reabilitação.
“Fisioterapia, terapia ocupacional, estímulos com hidroterapia e ecoterapia são essenciais para estimular a neuroplasticidade, permitindo que a medula consiga se reorganizar e melhorar a função do paciente”, explicou.
O que é a polilaminina
A polilaminina é um composto desenvolvido em laboratório e utilizado em pesquisa conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da cientista Tatiana Sampaio. O objetivo é tratar pacientes com lesões medulares recentes que resultaram em perda de movimentos.
Produzida a partir da laminina — proteína naturalmente presente no corpo humano e que desempenha papel importante no desenvolvimento embrionário e no crescimento celular — a substância apresenta indícios de que pode auxiliar na regeneração de lesões medulares.
Apesar dos resultados promissores observados até o momento, a pesquisa ainda precisa cumprir todas as etapas exigidas para comprovar a eficácia e a segurança do tratamento.