O TVSD Notícias teve acesso ao depoimento prestado por Flávio Lorenço, suspeito de matar o próprio pai, o servidor e motorista da Polícia Civil de Goiás (PCGO), João Lourenço de Oliveira, de 65 anos. O crime ocorreu no último sábado (13), mas o corpo da vítima foi encontrado apenas na segunda-feira (15), em uma área de mata próxima ao Aterro Sanitário de Goiânia, após o suposto autor confessar a autoria.
Durante o interrogatório, Flávio relatou, sem demonstrar emoção, que havia entrado em contato com o pai por meio de um aplicativo de mensagens para solicitar um Pix de R$ 3 mil e a caminhonete da vítima na sexta-feira (12). Segundo ele, o veículo teria sido prometido anteriormente como herança.
“Eu fui lá pedir um dinheiro emprestado para o meu pai no sábado, dia 13. Mas fui com a segunda intenção de pedir a caminhonete, porque ele tinha me prometido há um certo tempo que iria me dar ela de presente”, afirmou.
Apesar da suposta promessa, João Lourenço teria se recusado a entregar o veículo. Diante da negativa, Flávio disse ter procurado um conhecido identificado como João Lucas, de quem teria alugado uma arma de fogo por R$ 200.
“Eu planejei ir à casa dele para pegar esse valor. Tinha também um colchão de molas que ele ia doar para a minha filha. Mas fiquei revoltado com a situação, peguei uma arma emprestada com o João, morador de Bela Vista. Ele me alugou essa arma por R$ 200 e eu fui para lá conversar com meu pai, mas já com segundas intenções caso ele não cedesse”, declarou.
Dinâmica do crime
Segundo o depoimento, no dia do crime Flávio saiu de Bela Vista de Goiás – cidade em que mora – e seguiu para Senador Canedo, onde se encontrou com João Lucas. Em seguida, os dois foram até a residência da vítima, localizada no Parque dos Buritis, em Goiânia.
Flávio afirmou que João Lucas permaneceu aguardando dentro de um veículo por cerca de duas horas, período em que toda a ação teria ocorrido.
À polícia, ele confessou ter atirado na lateral da cabeça do pai após uma discussão relacionada à caminhonete.
“Chegando lá, só eu entrei. Ele ficou com o meu carro em uma esquina acima. Conversei com o meu pai, pedi para ele fazer o Pix e ele fez. Depois conversei sobre a caminhonete. Tivemos um atrito e, nesse momento, sem pensar, atirei na cabeça dele”, relatou.
Após o disparo, Flávio disse ter enrolado o corpo em um lençol e colocado a vítima na carroceria da caminhonete. Em seguida, limpou a cena do crime utilizando toalhas, produtos de limpeza e outros lençóis.
Ele também confessou ter levado um notebook e dois cartões bancários pertencentes ao pai.
De acordo com o relato, após o assassinato, ele saiu dirigindo a caminhonete com o corpo da vítima e realizou a desova às margens da GO-020.
Posteriormente, entregou o veículo e a arma utilizada no crime a João Lucas, que, segundo ele, seria responsável por providenciar o desmanche da caminhonete.
Ainda conforme o depoimento, o plano era vender o veículo por R$ 50 mil e dividir o dinheiro entre os envolvidos. Flávio afirmou, no entanto, que não recebeu qualquer valor referente à negociação.
Arrependimento
Ao final do depoimento, Flávio afirmou estar arrependido e classificou o crime como um momento de “loucura” e “ganância”.
“Estou extremamente arrependido. Foi um momento de loucura, de ganância, sem pensar nas consequências. Tenho muito a perder. Tenho um casamento de 23 anos, nunca tinha sido preso, nunca tinha passado por uma situação dessa, nunca tinha pegado em uma arma. Tenho três filhos e sou o provedor da minha casa”, declarou.
Segundo ele, a caminhonete foi vendida para uma mulher, que acabou presa por suspeita de receptação.
Até o momento, seis pessoas foram presas no âmbito da investigação. De acordo com a Polícia Civil, três são investigadas por latrocínio, uma por favorecimento pessoal e duas por receptação.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás.