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Do telhado à fazenda: por que a energia solar cresce em Goiás?

Fundador do Grupo Abinsaut explica que estado possui condições favoráveis e mercado diversificado, além da vantagens da instalação de energia
(Foto: Abinsaut)

Seja nos telhados de casas, escolas e comércios ou em grandes propriedades rurais, a energia solar ganhou espaço em Goiás nos últimos anos. O que antes era visto principalmente como uma alternativa sustentável passou a ocupar um papel relevante no mercado de energia e nos investimentos de consumidores e empresas.

Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apontam que Goiás ocupa a sétima posição entre os estados brasileiros com maior capacidade de geração de energia solar.

Ao todo, o estado soma 338,2 megawatts (MW) de potência instalada nesse segmento. O indicador representa a capacidade máxima de geração dos sistemas e corresponde a 4,9% de toda a potência instalada de geração distribuída solar no país.

Segundo Alexandre Bernardes, fundador do Grupo Abinsaut, Goiás reúne condições favoráveis para o avanço da energia solar e possui um mercado diversificado, que inclui residências, comércio, indústria e, principalmente, o agronegócio.

O que muda na conta de luz após a instalação?

A instalação de um sistema fotovoltaico não significa que a conta de energia deixará de existir. De acordo com Bernardes, a economia pode chegar a até 95%, dependendo das características do sistema e do consumo da unidade.

“Você irá continuar pagando uma taxa, mas é mínima em relação à conta de energia. Durante o dia, quando o sistema está produzindo, parte dessa energia pode ser consumida instantaneamente pelo imóvel. Quando existe geração excedente, essa energia pode ser injetada na rede elétrica e contabilizada dentro do Sistema de Compensação de Energia Elétrica”, explica.

Segundo o empresário, quando o consumidor precisa utilizar energia da rede, como durante a noite, o saldo gerado anteriormente pode ser compensado conforme as regras aplicáveis à unidade consumidora.

“Por isso, a rede elétrica acaba funcionando como uma infraestrutura de suporte para esse consumidor”, afirma.

Antes de instalar os equipamentos, no entanto, o consumidor precisa analisar mais do que o valor da última conta de luz. Bernardes recomenda avaliar o histórico de consumo, a sazonalidade e as condições técnicas do imóvel, como área disponível, orientação e inclinação do telhado, sombreamento, estrutura, padrão de entrada, transformadores, quando aplicável, capacidade da rede elétrica e condições de conexão com a distribuidora.

Outro ponto destacado pelo empresário é a necessidade de considerar o consumo futuro.

“Essa residência vai instalar mais aparelhos de ar-condicionado? Vai comprar um carro elétrico? Essa empresa pretende aumentar a produção? A propriedade rural pretende ampliar bombas, pivôs ou outros equipamentos?”, questiona.

A qualidade dos equipamentos e da instalação também deve ser considerada. Segundo Bernardes, o sistema fotovoltaico é um investimento planejado para funcionar durante muitos anos.

“Preço é importante, mas engenharia, segurança, garantia, qualidade dos equipamentos, monitoramento e pós-venda são fundamentais. Eu costumo resumir assim: o melhor sistema não é necessariamente o maior; é aquele corretamente dimensionado para a realidade e para o futuro daquele consumidor”, destaca.

(Foto: Abinsaut)

Sistemas híbridos e baterias apontam para o futuro

Para Bernardes, uma das próximas etapas do mercado de energia solar será a expansão dos sistemas híbridos, que podem combinar geração fotovoltaica, rede elétrica, baterias e, dependendo da aplicação, outras fontes de energia.

“O sistema híbrido acrescenta novas possibilidades. Podemos combinar energia solar, rede elétrica, baterias e, dependendo da aplicação, outras fontes de geração. A própria legislação brasileira contempla solicitações de acesso de micro e minigeração com armazenamento e sistemas híbridos”, afirma.

Na avaliação dele, as baterias terão papel importante nos próximos anos. A geração solar já permite produzir energia durante os períodos de incidência de sol. O desafio, segundo o empresário, é armazenar essa energia para utilizá-la em outros momentos.

“Eu acredito que os próximos cinco a dez anos serão ainda mais transformadores do que os últimos dez. Você vai encontrar empresas realmente que são da área. O mercado está filtrando muito e ficando mais exigente”, afirma.

Entre as tendências citadas por ele estão o armazenamento de energia, inversores híbridos, carregamento de veículos elétricos, automação, gestão de demanda, monitoramento inteligente e o uso de inteligência artificial para administrar o consumo.

Da manutenção elétrica à energia solar

A expansão do setor também abriu espaço para empresas especializadas em soluções de energia. É o caso do Grupo Abinsaut, fundado em 2015 e voltado para engenharia elétrica, energia solar fotovoltaica e automação residencial e industrial.

Segundo Alexandre Bernardes, a relação com o setor começou antes mesmo da criação da empresa por meio de pesquisas para um trabalho de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Em 2012, quando a geração distribuída ainda dava os primeiros passos no Brasil, ele começou a realizar pesquisas no segmento, em um período em que havia poucas referências e fontes de pesquisa disponíveis.

Os primeiros trabalhos incluíam manutenção, instalação e automação elétrica para indústrias, restaurantes e residências de alto padrão.

“Não deixando a energia solar de lado, falar em energia solar em 2015 parecia coisa de doido. Ninguém acreditava que aquilo iria dar certo, mesmo com a atualização da normativa, trazendo facilidades. Uma venda de energia solar naquele período era muito difícil, era uma venda muito trabalhada e vendíamos o payback para quem realmente acreditava na tecnologia promissora do futuro. Era uma venda por mês, mas muito comemorada quando acontecia”, relembra.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2018, a empresa abriu a primeira sede em Goiânia e passou a ampliar a equipe. Em 2020, inaugurou uma filial em Araguapaz, com foco no atendimento à região do Vale do Araguaia. Já em 2025, iniciou a expansão para outros estados, com uma unidade em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

De acordo com a empresa, ao longo de 11 anos foram instalados mais de 5 mil projetos.

Em 2026, a Abinsaut passou a operar como um grupo, com a criação da Eletro Abinsaut, voltada ao fornecimento de materiais elétricos. A empresa também apresenta o conceito de “Epicentro Energético”, que, segundo Bernardes, representa uma mudança na atuação do setor

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