As famosas “red flags”, ou bandeiras vermelhas, ganharam espaço na linguagem cotidiana para identificar comportamentos que despertam alerta dentro de uma relação. Quando aparecem de forma recorrente, atitudes como ciúme excessivo, controle, desrespeito e intimidação podem indicar que algo não vai bem.
Perceber esses sinais pode ser o primeiro passo para evitar que uma relação abusiva avance para situações ainda mais graves.
Essa atenção pode começar antes mesmo de o relacionamento se tornar sério, conforme explica a psicóloga Fabiana Aparecida Benedito. Em entrevista ao TVSD Notícias, ela salienta a importância de observar a reação ao comportamento do outro ao escutar, por exemplo, um “não” ou perceber que a outra pessoa tem vontades diferentes das dele.
“Essas situações podem revelar muito sobre a maneira como ele compreende os limites e a autonomia do outro. Explosões de raiva, ciúmes excessivos, tentativas de controlar roupas, amizades e horários, comportamentos intimidatórios, chantagem emocional e atitudes passivo-agressivas não devem ser interpretados simplesmente como demonstrações de amor, preocupação ou personalidade forte”, diz.
Também é importante observar o que acontece depois de uma atitude agressiva. Um pedido de desculpas, por exemplo, não significa necessariamente que aquele comportamento não voltará a acontecer.
A maneira como o outro assume — ou não — a responsabilidade pelo que fez pode revelar mais do que o próprio pedido de desculpas. “Ele (a) reconhece o que fez? Assume responsabilidade? Ou transfere a culpa, dizendo que ela provocou aquela reação?”, questiona Fabiana.
Quando o controle vira violência
Perguntar insistentemente onde o outro está, exigir respostas imediatas, reclamar das roupas, controlar amizades ou querer saber com quem ela conversa podem ser apresentados como demonstrações de ciúme ou preocupação. O problema surge quando essas atitudes deixam de fazer parte de acordos entre duas pessoas e passam a limitar a liberdade de uma delas.
A violência também pode se desenvolver gradualmente. De acordo com a profissional, inicialmente, podem aparecer questionamentos e comportamentos de controle. Depois, gritos, humilhações, ameaças, perseguições, invasão de privacidade, destruição de objetos ou outras atitudes utilizadas para intimidar. Nem sempre é necessária uma agressão física para que uma mulher, por exemplo, esteja vivendo uma situação de violência.
“Um sinal bastante importante é quando a mulher começa a organizar a própria vida em função das possíveis reações do parceiro. Ela começa a pensar antes de falar, evita determinados assuntos, deixa de encontrar determinadas pessoas ou sente que precisa ‘pisar em ovos’ para não provocar uma explosão”, explica Fabiana. “Nesse momento, existe algo importante acontecendo: a liberdade começa a ser substituída pelo medo.”
Uma relação abusiva pode envolver isolamento, dependência financeira, medo e manipulação, fatores que tornam mais difícil a partida.
Quando os sinais aparecem, a psicóloga salienta que conversar com alguém de confiança, preservar uma rede de apoio e buscar ajuda especializada podem ser passos importantes. Em situações de risco, a prioridade deve ser a segurança da mulher.
“Não é preciso esperar que a violência se torne física para compreender que existe um problema”, finaliza.
