Casos como o de Olinda Aparecida da Silva Leite, de 68 anos, idosa diagnosticada com depressão e encontrada morta na quarta-feira (4) após pular, por conta própria, no Córrego das Antas, em Anápolis, não são isolados. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 13% da população idosa no Brasil sofre com a doença.
À TV Serra Dourada, a psicóloga, terapeuta e especialista em terapia para idosos Rosemary Pinheiro alerta que excessos como aumento ou perda de sono, falta ou excesso de apetite, além do isolamento social, devem ser observados por familiares e amigos, pois podem indicar quadros de depressão em pessoas idosas.
“Frases que geralmente saem da boca deles: ‘Eu estou bom para morrer’, ‘meu tempo aqui já passou’. São frases típicas de idosos que estão com um nível de tristeza acima do normal. A pessoa passa a não querer sair mais de casa, não tem amizades, não tem um hobby”, destaca.
Um dos principais fatores apontados pela profissional como gatilho para a depressão é o abandono familiar, já que o núcleo familiar exerce papel fundamental na saúde física e emocional dos idosos.
“É preciso que a família ouça sem pressa. Esteja presente, com presença. Não é estar presente com o celular na mão. É sentar à mesa, olhar nos olhos, escutar a conversa e dar continuidade ao diálogo. Porque, às vezes, a pessoa já escutou e diz: ‘aham, a senhora já falou’, e aí o idoso se sente um estorvo, alguém que incomoda”, explica.
Rosemary reforça a importância de oferecer o chamado ‘espaço social’ ao idoso, o que, na prática, significa atenção e cuidado redobrados por parte das pessoas próximas.
“É preciso levar esse idoso a situações em que ele possa ressignificar o local onde está. O idoso, nesse período da vida, vivencia o luto por pessoas que já não estão mais com ele. Se não for observado, cuidado e, quando necessário, medicado, ele pode desenvolver outros sintomas”, alerta.
Quem vivenciou a doença e atualmente busca tratar as sequelas deixadas pela depressão é a pensionista Luzia Gonçalves de Melo. Após perder o marido em decorrência de um câncer, há seis anos, e, posteriormente, passar por um relacionamento abusivo, ela desenvolveu a doença.
Inicialmente, Luzia relata que enfrentou resistência para iniciar o tratamento, mas, após insistência da filha, decidiu buscar ajuda — o que, segundo ela, foi transformador.
“Eu achava que conseguiria tudo por minha conta. Dizia: ‘não preciso disso, tanta coisa eu já enfrentei sozinha, por que essa eu não vou enfrentar de novo?’. Mas as coisas não mudavam, só pioravam. Tinha dias em que o desespero era tanto que eu só chorava. Hoje, estou me tornando uma mulher alto-astral, aceito convites. Até com meus filhos, eu gostava de almoçar aos domingos e já não queria mais; hoje isso é diferente”, relata.