Um ex-líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada no Jardim Guanabara II, em Goiânia, está sendo investigado por crimes que envolvem abuso sexual e divulgação de fotos íntimas de vítimas. A operação foi deflagrada nesta terça-feira (27) pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra o suspeito.
A operação foi realizada pela força-tarefa instituída pela Procuradoria-Geral de Justiça. Os mandados foram expedidos pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia e cumpridos em locais ligados ao investigado na capital, incluindo a comunidade espírita.
Por decisão dos membros, o homem foi destituído da liderança, e o centro está temporariamente fechado e sob nova direção.

Segundo informações do Ministério Público, a investigação teve início após uma denúncia feita sob sigilo por uma integrante da comunidade. De acordo com o que já foi apurado, o indivíduo abusava da autoridade religiosa para submeter mulheres que faziam parte do centro a práticas que, em tese, configuram crimes contra a dignidade sexual.
Em entrevista à TV Serra Dourada, um dos novos diretores da instituição, Edelzito Lima Leite Júnior, afirmou que a comunidade acompanha 150 famílias de baixa renda da região do Jardim Guanabara e disse estar surpreso com a investigação do Ministério Público Estadual.
“O que aconteceu antes não cabe a mim julgar porque eu não tenho nem conhecimento direito para provar, quem cuidará disso é o Ministério Público, né, que vai fazer esse trabalho”, relata.
As investigações apuram também indícios de que o suspeito teria divulgado fotos íntimas das vítimas para terceiros. Além disso, há indícios de que o ex-líder espírita explorava a vulnerabilidade financeira de outras mulheres atendidas pelo programa de assistência da comunidade, oferecendo cestas básicas em troca de conteúdo sexual.

Informações levantadas durante as investigações apontam ainda que o homem estaria desenvolvendo atividades religiosas no município de Santa Helena de Goiás e envolvido na possível abertura de um novo centro espírita na região. A suspeita reforça a preocupação de que ele possa voltar a usar a manipulação da fé e da autoridade religiosa para se aproveitar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.