Com o corpo coberto por lesões, desnutrido e em avançado estado de desidratação, um idoso de 66 anos deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Jardim Novo Mundo, em Goiânia. A gravidade do quadro chamou a atenção da equipe médica, que suspeitou de maus-tratos e acionou a Polícia Militar (PM).
Segundo a PM ao chegarem à unidade de saúde, os policiais encontraram o paciente bastante debilitado e em estado clínico considerado gravíssimo, com diversas lesões pelo corpo.
O idoso apresentava pouca resposta aos estímulos, secreção e forte odor nas regiões sacral (localizado na base da coluna vertebral, logo acima do cóccix e entre os ossos do quadril) e glútea, indicando possíveis feridas sem os devidos cuidados. O paciente também estava caquético, condição caracterizada pela perda extrema de peso e massa muscular, desidratado, desnutrido e com secreção saindo pela cavidade oral.
Durante a ocorrência, os policiais conversaram com as irmãs da vítima, que relataram que o filho adotivo era o responsável pelos cuidados diários do idoso. Elas afirmaram ainda que ele dificultava o contato da família, impedindo que parentes realizassem visitas à residência.
Questionado pelos militares, o homem confirmou que era o responsável pelos cuidados do pai adotivo e disse que os familiares apenas podiam vê-lo por uma janela da casa.
Diante dos indícios de maus-tratos e das informações levantadas durante a ocorrência, os policiais deram voz de prisão em flagrante ao suspeito pelo crime previsto no artigo 99, §1º, do Estatuto da Pessoa Idosa, que trata da exposição da saúde e da integridade física da pessoa idosa a perigo por meio da privação de cuidados indispensáveis.
O caso foi encaminhado à Polícia Civil de Goiás, que dará continuidade às investigações.