O aumento das internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos no Sistema Único de Saúde (SUS) tem acendido o alerta entre autoridades de saúde em Goiás. Dados apontam que, no Estado, os casos cresceram quase 150% em um período de dez anos — passando de 133 registros, em 2015, para 329, em 2025. O maior pico foi registrado em 2024, com 410 ocorrências.
Especialistas apontam que fatores como estilo de vida inadequado, presença de doenças crônicas e estresse estão entre as principais causas do avanço dos casos, cenário que acompanha a tendência nacional.
O que é infarto?
O infarto ocorre quando há obstrução de uma ou mais artérias responsáveis por irrigar o coração, interrompendo o fluxo sanguíneo. Geralmente, o bloqueio é provocado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias.
A condição está associada a doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, além de hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool e histórico familiar da doença, especialmente em parentes de primeiro grau.
Os sintomas podem variar. Entre os mais comuns estão dor no peito, sudorese e náusea. Em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, o infarto pode se manifestar de forma atípica, com falta de ar, dor abdominal, mal-estar e desconforto torácico. O atendimento rápido é determinante para reduzir complicações e salvar vidas.
Atendimento prioritário
Em Goiás, o atendimento a pacientes com dor no peito é tratado como prioridade nas unidades de referência. No Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo), casos com suspeita de infarto recebem atenção imediata. A recomendação é que o eletrocardiograma seja realizado em até 10 minutos após a chegada do paciente e avaliado por um médico no mesmo intervalo de tempo.
No Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), a demanda também é elevada. Ao O Popular, José Luiz da Silva Júnior, supervisor da residência de Cardiologia da unidade, revela que o hospital atende entre 150 e 200 pacientes com infarto por mês. Embora a maioria ainda seja composta por pessoas mais idosas, já é perceptível o aumento de casos entre pacientes jovens.
No Hugol, o protocolo prevê a realização de eletrocardiograma em até 10 minutos para pacientes que entram pelo fluxo de dor torácica. Confirmado o diagnóstico, o encaminhamento à hemodinâmica ocorre em até 30 minutos, onde é realizada a desobstrução da artéria comprometida.
A unidade conta com os chamados “leitos zero” para infarto, garantindo atendimento imediato independentemente da taxa de ocupação. Na área de urgência, são sete leitos de box e 10 de retaguarda, que funcionam como unidades coronarianas. O hospital dispõe ainda de uma UTI de cardiologia clínica com 10 leitos e 60 leitos de enfermaria especializados. Na hemodinâmica, referência no tratamento de doença coronariana, há duas salas em funcionamento.
Em Aparecida de Goiânia, o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (Hmap) também adota protocolo específico para o atendimento de infarto. A unidade atua em alinhamento com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e com as UPAs da rede municipal. Quando um paciente apresenta sinais da doença em uma UPA, o eletrocardiograma é realizado e enviado para avaliação de médicos do Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pela gestão da unidade. Confirmado o diagnóstico, o paciente é encaminhado imediatamente ao Hmap.
Assim como o Hugol, o Hmap possui serviço de hemodinâmica, onde são realizados procedimentos como cateterismo e angioplastia. O tempo médio de atendimento é de aproximadamente duas horas, com desfechos positivos na maioria dos casos.
Após o infarto, especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico contínuo. Entre as orientações estão o uso correto de medicamentos, controle alimentar, participação em programas de reabilitação cardíaca e retorno gradual à atividade física.
Em Goiânia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também observa aumento nos registros e orienta as unidades de urgência a priorizarem casos de dor torácica, com encaminhamento hospitalar quando necessário. Na atenção primária, pacientes hipertensos são acompanhados pelas equipes de Saúde da Família e podem retirar gratuitamente medicamentos para controle da pressão arterial.
O avanço dos casos entre jovens reforça a necessidade de prevenção, diagnóstico precoce e mudança de hábitos como estratégias essenciais para reduzir a mortalidade por doenças cardiovasculares.