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Lápide com suástica em cemitério da Cidade de Goiás vira objeto de pesquisa

Pedra pertence ao túmulo de um estrangeiro que viveu na cidade nas décadas de 1920 e 1930
Lápide com suástica em cemitério da Cidade de Goiás vira objeto de pesquisa
Foto: Reprodução/ Dissertação de mestrado de Frederico Tadeu Gondim

O Cemitério São Miguel, na Cidade de Goiás, abriga o túmulo da escritora Cora Coralina. No entanto, o local também tem chamado a atenção por causa de uma lápide que exibe uma suástica, símbolo associado ao nazismo.

A pedra pertence ao túmulo de um estrangeiro que viveu na cidade nas décadas de 1920 e 1930. A morte ocorreu em 1936, período em que a Alemanha estava sob o regime de Adolf Hitler.

O símbolo — ligado à ideologia responsável pela morte de milhões de pessoas, especialmente judeus — foi objeto de estudo na dissertação de mestrado intitulada “A suástica de João Jessl: Memória e imaginário no Cemitério São Miguel da Cidade de Goiás”, defendida em 2021 pelo historiador Frederico Tadeu Gondim, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

História

Identificado como Johann Jessl, também conhecido como João Jessl, o austríaco chegou ao Brasil em dezembro de 1925, aos 22 anos. Ele desembarcou no porto de Santos, em São Paulo, em busca de melhores condições de vida, em meio à recessão econômica que atingia a Áustria e a Alemanha após a Primeira Guerra Mundial.

De acordo com registros históricos, Jessl chegou sozinho ao país e já estava na Cidade de Goiás ao menos a partir de 1928, ano do primeiro registro de sua presença na então capital goiana. Parte significativa de sua família havia morrido na Europa antes de sua vinda ao Brasil.

Segundo a pesquisa, ele atuou como eletricista, engenheiro eletricista ou mecânico — as denominações variam conforme os documentos. Em uma publicação de 1929, é descrito como “Elektrotechniker”, termo em alemão que significa técnico em eletricidade.

“Em 1928, Jessl já trabalhava na Cidade de Goiás como eletricista da primeira concessionária de energia elétrica da antiga capital, onde permaneceu até sua morte, em 1936, aos 33 anos”, afirmou o historiador.

O pesquisador também identificou correspondências que mencionam Jessl relacionadas à empresa alemã Siemens-Schuckert, que atuava no Brasil desde o século XIX. No acervo da antiga Empresa de Força e Luz de Goiás — onde ele trabalhou — há publicações em alemão, incluindo um manual da Siemens-Schuckert.

“A hipótese é de que Jessl tenha chegado à Cidade de Goiás recomendado por alguma empresa para a qual possa ter trabalhado em São Paulo. Ele também pode ter vindo a convite, mas não por acaso”, destacou Gondim.

Apesar da presença da suástica na lápide, o pesquisador ressalta que não é possível afirmar que Jessl fosse adepto do nazismo ou seguisse os propósitos do partido.

“Além de não ter vindo ao Brasil a serviço do partido, Jessl estava fora do raio de ação do NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) na segunda metade da década de 1920 e da Alemanha nazista na década de 1930”, explicou.

Johann Jessl morreu em 28 de dezembro de 1936, exatamente 11 anos após desembarcar em Santos, vítima de um ataque cardíaco.

 

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