PUBLICIDADE

Mais de um emprego e menos tempo livre: o desafio dos jovens que conciliam trabalho e faculdade

Independência financeira aparece como uma das principais razões para manter uma rotina extensa
O mundo é dos jovens: mas a que custo?
(Foto: Magnific)

Ônibus lotado às 5h da manhã, incontáveis xícaras de café, matérias acumuladas e sucessivas demandas. Essa é a rotina vivenciada por alguns jovens que enfrentam duas ou mais jornadas de trabalho enquanto ainda tentam conciliar os estudos e uma vida social.

Segundo uma reportagem publicada pela Gama Revista em maio de 2025, a quantidade de brasileiros com mais de uma ocupação aumentou 15% na última década. O crescimento impactou principalmente os profissionais mais jovens, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A publicação também aponta que ter segurança financeira e complementar a renda são os principais objetivos de mais da metade dos brasileiros com múltiplos empregos, segundo estudo da plataforma de hospedagem online Hostinger.

O cenário é uma realidade enfrentada pelo estudante de Educação Física Francisco Mateus, de 19 anos. Morador de Goiânia, o jovem possui uma rotina dividida em até quatro áreas de atuação: trabalha em uma academia, em uma assessoria de corrida, com recreação infantil, além de realizar serviços extras como garçom.

A independência financeira aparece como uma das principais razões para manter uma rotina extensa. O jovem utiliza o trabalho não apenas como fonte de renda, mas também como uma forma de construir experiência e ampliar as possibilidades profissionais.

“Eu sempre busco a minha independência financeira. Querer o meu dinheiro, comprar as minhas coisas, pagar a prestação do meu carro. Então, nunca gostei de depender, sempre gostei de fazer o meu para ter o meu”, afirmou em entrevista ao TVSD Notícias.

A busca por autonomia, no entanto, não começou agora. Antes de entrar na faculdade, o estudante já conciliava uma rotina de cerca de 10 horas no ensino regular com seis horas de trabalho nos fins de semana, em um restaurante.

Uma das principais consequências apontadas por ele é, sobretudo, a dificuldade de participar de atividades sociais.

“Você acaba deixando de lado às vezes até a parte de viver, tipo, sair, aproveitar com os amigos, família. Porque você vai estar tão preso no trabalho”, relata Francisco.

O desgaste também aparece no corpo e na própria capacidade de manter o ritmo. Segundo ele, há dias em que o sono interfere no rendimento, e a rotina acaba afetando tanto o trabalho quanto a faculdade.

“Isso acaba interferindo tanto no nosso conhecimento […] quanto na nossa saúde, principalmente por conta de sono, por conta de desgaste”, relata o estudante de Educação Física.

Um cenário semelhante é enfrentado pela moradora da capital Cibelly Oliveira, também de 19 anos. No caso dela, no entanto, a necessidade tem outra origem.

Estudante de Jornalismo, ela faz estágio e precisa conciliar o restante do dia entre serviços extras, também chamados de “bicos”, e a vida universitária. Para ela, a decisão de buscar mais de um trabalho esteve principalmente ligada à necessidade financeira.

“Foi realmente a necessidade financeira, principalmente porque eu me mudei para Goiânia este ano […] A questão de contas fica mais puxado depois de sair da casa dos pais”, explica.

Cibelly também reconhece que manter diferentes atividades exige abrir mão de algumas coisas no caminho. A estudante conta que, em alguns momentos, acabou priorizando os trabalhos em detrimento da faculdade, algo que pretende evitar nos próximos semestres.

Apesar das dificuldades, Cibelly acredita que a rotina pode valer a pena quando existe um objetivo por trás do esforço.

“É muito difícil conciliar, só que se organizar certinho a questão do tempo, dos horários, dá sim para ir conciliando ”, afirma.

O outro lado do mercado de trabalho

Embora as experiências de Francisco e Cibelly revelem uma rotina de múltiplas ocupações, esse cenário não é visto como uma regra no mercado de trabalho.

Para a profissional da área de Recursos Humanos Sophia Miquelito, a procura por mais de um emprego não é percebida como uma tendência generalizada entre os jovens que chegam às empresas onde atua.

Na avaliação da profissional, quando um jovem decide conciliar diferentes fontes de renda, a escolha costuma estar ligada a objetivos pessoais ou necessidades específicas, como conquistar independência financeira, adquirir um bem ou ajudar familiares.

“O que a gente percebe que jovens que procuram mais opções de emprego ou duas opções, conciliar e ir atrás, é porque é… tem algum objetivo nesse sentido: ou de saúde ou de conquistar alguma coisa”, explica.

Foto: Sophia Miquelito/ Arquivo Pessoal

A sobrecarga também é percebida pela profissional de Recursos Humanos. Para Sophia, conciliar diferentes empregos e uma graduação significa lidar simultaneamente com as cobranças de diferentes ambientes.

“Você tem uma cobrança de um emprego, você tem cobrança de outro, é… você também tem é a cobrança, né, de faculdade, estudo… Dependendo, a pessoa quando tem dois empregos ela fica muito mais cansada… É difícil trabalhar em dois empregos e se manter bem”, diz.

Leia mais

PUBLICIDADE