O gosto amargo da eliminação e a desilusão tomaram conta dos lares brasileiros no fim da noite do último domingo (05). O barulho das vuvuzelas foi substituído pelo silêncio após a Seleção Brasileira ser eliminada, de forma precoce, da Copa do Mundo de 2026 ao perder por 2 a 1 para a Noruega, em partida válida pelas oitavas de final.
Há décadas uma cena como essa não era vista pelos torcedores brasileiros. O Brasil não era eliminado nas oitavas de final desde 1990, quando foi derrotado pela Argentina por 1 a 0. Antes disso, a única queda nessa fase havia ocorrido em 1934, diante da Espanha, por 3 a 1.
Para o jornalista esportivo Rafael Bessa, a eliminação é resultado de uma série de fatores, começando pelo período de preparação da Seleção Brasileira, que, segundo ele, esteve longe do ideal.
“A chegada do Carlo Ancelotti trouxe uma esperança para o povo brasileiro, por ser um dos treinadores mais vitoriosos do mundo. O ciclo, isto é, o período de preparação da Seleção Brasileira para essa Copa, não foi bom. Tanto que o Ancelotti foi o quarto treinador do Brasil depois da eliminação na Copa do Catar, em 2022. Depois do Tite, passaram Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, por fim, chegou o Carlo Ancelotti, há pouco mais de um ano da Copa do Mundo”, afirmou em entrevista ao TVSD Notícias.
Na avaliação de Bessa, seleções como a França chegaram ao Mundial em vantagem justamente pela continuidade do trabalho. O técnico Didier Deschamps, por exemplo, está à frente da equipe francesa há 14 anos, o que, segundo o jornalista, proporcionou estabilidade e um planejamento mais consistente.
“A Seleção Brasileira não teve uma preparação adequada, enquanto a França, por exemplo, chegou como uma das favoritas com o mesmo treinador da Copa anterior. Houve continuidade. Quando chega o Ancelotti, com uma filosofia europeia e vencedora, cria-se uma expectativa muito grande. Esse é o primeiro ponto”, ressalta.
Outro fator apontado por Bessa é a ausência de uma referência técnica consolidada. Segundo ele, o Brasil depositou grande parte da responsabilidade em Neymar, que, aos 34 anos, já vive a reta final da carreira e enfrentou diversos problemas físicos ao longo dos últimos anos.
“Havia uma desconfiança inicial. Depois veio uma esperança com a chegada do Ancelotti e, agora, essa frustração, porque a Seleção foi crescendo durante a Copa. Começou empatando com o Marrocos, depois conseguiu duas vitórias consecutivas, fez 3 a 0, deu uma falsa impressão de evolução, teve dificuldades contra o Japão e, então, encontrou uma Noruega que vivia um grande momento. A expectativa cresceu, mas terminou em frustração”, analisa.
Desempenho
Na opinião do jornalista, o desempenho dentro de campo também foi determinante para a eliminação. Um dos momentos mais marcantes foi o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães.
“A Seleção Brasileira ficou 40 anos sem perder um pênalti em Copa do Mundo. A última vez havia sido com o Zico, em 1986, e naquela ocasião o Brasil também acabou eliminado. Historicamente, o Brasil sempre teve um excelente aproveitamento em cobranças de pênalti, e o Bruno Guimarães acabou desperdiçando”, destaca.
Bessa também questiona a escolha do cobrador. Embora a decisão seja do técnico Carlo Ancelotti, ele acredita que outros jogadores estavam mais preparados para assumir a responsabilidade.
“Por que o Ancelotti escolheu o Bruno Guimarães e não outros jogadores? Depois, ele justificou que levou em consideração o aproveitamento. Mas havia o Vini Júnior, que brigava pela artilharia da Copa. Então, por que não ele? Inclusive, há aquela cena em que o Vini Júnior entrega a bola para o Bruno Guimarães”, comenta.
Para Rafael Bessa, a campanha da Seleção Brasileira pode ser resumida em uma única palavra.
“A Seleção Brasileira se iguala às duas piores participações do Brasil na história. Antes, apenas em 1966 e em 1990 o Brasil havia sido eliminado nas oitavas de final. Então, é um fracasso”, conclui.