Com o lançamento da Operação Cerrado Vivo 2026, realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), o Estado inicia mais uma força-tarefa para enfrentar um dos maiores desafios do período de estiagem: os incêndios florestais. A operação reúne ações de prevenção, monitoramento e combate ao fogo em regiões consideradas mais vulneráveis durante os meses mais secos do ano.
A iniciativa prevê a formação de 180 brigadistas comunitários, o posicionamento antecipado de equipes especializadas em unidades de conservação e o reforço das ações de fiscalização e educação ambiental. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta aos focos de incêndio e reduzir os impactos causados pelas queimadas no Cerrado goiano.
O lançamento da operação ocorre em um momento estratégico. Historicamente, o período entre junho e setembro registra os maiores índices de incêndios em vegetação no Estado, favorecidos pela combinação de baixa umidade do ar, altas temperaturas e vegetação seca.
Para Sidney Júnior, especialista em prevenção e combate a incêndios, o trabalho realizado pelos bombeiros é fundamental, mas a rapidez no combate aos primeiros focos continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para evitar que pequenos incidentes se transformem em grandes tragédias ambientais. “Grande parte dos incêndios florestais começa com focos pequenos e localizados. Quando a resposta acontece nos primeiros minutos, as chances de controle são significativamente maiores, evitando que o fogo se espalhe e provoque danos de grandes proporções”, explica.
Segundo o especialista, as condições típicas do período de estiagem no Cerrado fazem com que as chamas se propaguem rapidamente, tornando cada minuto decisivo para o sucesso das ações de contenção.
Nesse contexto, equipamentos voltados ao combate inicial podem funcionar como importantes aliados em propriedades rurais, residências, condomínios, empresas e até veículos, permitindo uma resposta imediata enquanto o socorro especializado é acionado. “O princípio de incêndio é justamente o momento em que o fogo ainda está restrito a uma pequena área e pode ser controlado com recursos adequados. Quando há demora na resposta, o cenário muda completamente e o combate passa a exigir estruturas mais complexas e equipes especializadas”, afirma Sidney.
Entre as alternativas disponíveis para esse primeiro combate estão os extintores em spray, desenvolvidos para atuar em princípios de incêndio envolvendo materiais sólidos, líquidos inflamáveis e equipamentos elétricos energizados. Compactos e de fácil manuseio, esses dispositivos podem contribuir para evitar que pequenos focos evoluam para ocorrências de maiores proporções.

O especialista ressalta, porém, que a prioridade deve ser sempre a preservação da vida. Em situações em que as chamas apresentem risco às pessoas ou já tenham se espalhado de forma significativa, a orientação é abandonar a área imediatamente e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. “O equipamento é uma ferramenta de resposta inicial. Ele não substitui o trabalho dos bombeiros, mas pode ser decisivo para impedir que um pequeno foco se transforme em um incêndio de grandes proporções. A prevenção continua sendo o caminho mais eficiente para proteger vidas, patrimônios e o meio ambiente”, destaca.
Com a Operação Cerrado Vivo em andamento e a chegada do período mais crítico para queimadas em Goiás, especialistas reforçam a necessidade de conscientização da população. Evitar queimadas irregulares, descartar corretamente materiais inflamáveis e agir rapidamente diante dos primeiros sinais de fogo são atitudes que ajudam a preservar o Cerrado e reduzir prejuízos ambientais, econômicos e sociais.