Ao menos sete pessoas tiveram deformidades no rosto após realizarem procedimentos estéticos com a dentista Valéria Ribeiro, segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO). A profissional foi presa na manhã desta quinta-feira (28), durante uma operação realizada em Goiânia com apoio da Vigilância Sanitária.
De acordo com as investigações, a odontóloga realizava procedimentos cirúrgicos dentro da própria clínica, localizada no Setor Bueno, sem possuir habilitação adequada para executar esse tipo de intervenção.
Ainda conforme a polícia, os procedimentos eram feitos em um ambiente considerado inadequado e sem estrutura compatível com cirurgias de maior complexidade.
Algumas vítimas chegaram a ficar afastadas das atividades por mais de 30 dias, sem conseguir desempenhar funções normalmente.
Entre os procedimentos realizados pela investigada estão rinoplastia, bichectomia e lipo de papada.
Segundo a PCGO, as vítimas apresentaram infecções, deformidades faciais, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas consideradas graves.
Em depoimento, pacientes relataram que alguns procedimentos chegaram a durar até 12 horas e eram realizados em uma sala odontológica comum. Uma das vítimas quase precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Além da dentista, uma funcionária da clínica foi presa em flagrante suspeita de tentar esconder produtos e objetos durante o cumprimento das buscas.
Investigações
As investigações tiveram início em 2024, após denúncias apresentadas por pacientes que afirmaram ter sofrido complicações decorrentes dos procedimentos.
Segundo a Polícia Civil, a operação identificou indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular da clínica e uso de técnicas proibidas pelas normas de fiscalização profissional.
Durante a operação, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica e em imóveis ligados à investigada. Documentos, contratos, prontuários, equipamentos e aparelhos eletrônicos foram apreendidos para auxiliar nas investigações.
Além da prisão preventiva da odontóloga, a Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 600 mil em bens e patrimônios vinculados à suspeita.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás.
Em nota, a defesa de Valéria, representada pela advogada Caroline Brittar, afirma que não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação e que,”por ora, uma resposta técnica e jurídica completa aos fatos noticiados”.
Já o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que profissional possui registro ativo no CROGO.
Leia a nota da defesa:
A defesa da cirurgiã-dentista Valéria Ribeiro, representada pela advogada Caroline Bittar, vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Civil de Goiás.
A ausência de acesso integral aos autos impossibilita, por ora, uma resposta técnica e jurídica completa aos fatos noticiados.
Tão logo tenha acesso irrestrito à documentação, a defesa se manifestará de forma detalhada e fundamentada.
Leia a nota do CRO-GO:
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informa que tomou conhecimento, por meio de notícias veiculadas pela imprensa, da operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, nesta quinta-feira (28/05). A profissional em questão possui registro ativo no CROGO.
O CROGO acompanha com atenção os desdobramentos do caso e ressalta que eventuais infrações éticas estão sendo devidamente apuradas no âmbito administrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme estabelece a legislação vigente. As apurações neste Conselho correm sob sigilo.
O CROGO esclarece que, em regra, os procedimentos estéticos minimamente invasivos de Harmonização Orofacial, como aplicação de botox e preenchimento com ácido hialurônico, podem ser realizados por profissionais da Odontologia, nos termos da Resolução CFO 198/2019.
Por outro lado, os procedimentos estéticos e cirúrgicos na face (ex.: lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia, blefaroplastia etc.) só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF), conforme exige a Resolução CFO 286/2026, sob pena de responsabilização.
O CROGO reforça seu compromisso com a fiscalização do exercício ético e legal da Odontologia, com a segurança da população e com a valorização dos profissionais que atuam dentro dos limites técnicos e científicos estabelecidos pelas normas da profissão.