Mais de uma década após o crime, a Justiça condenou o policial militar Thiago Marcelino Machado pelo assassinato de Guilherme Vieira Camilo, morto em Anápolis em 2014. O julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri e terminou com a fixação da pena em 16 anos e 4 meses de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
A sentença foi proferida na quarta-feira (29) pelo juiz Fernando Augusto Cacha de Rezende. Na dosimetria, o magistrado estabeleceu inicialmente a pena de 14 anos de reclusão, mas aumentou a condenação ao reconhecer a agravante relacionada à dificuldade de defesa da vítima, chegando ao total de 16 anos e 4 meses.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 150 mil de indenização mínima aos familiares de Guilherme Vieira Camilo e expediu mandado de prisão imediata contra o condenado, com validade até julho de 2042.
Durante o julgamento, Thiago Marcelino Machado negou ter participado do homicídio. Como ele é policial militar, a decisão estabelece que o cumprimento da pena ocorra em unidade prisional compatível com a função exercida pelo condenado.
De acordo com o processo, o crime aconteceu no dia 23 de outubro de 2014, por volta das 14h15, na Rua Dinamarca, no Setor Boa Vista, em Anápolis. Guilherme Vieira Camilo foi morto a tiros.
A condenação faz parte dos desdobramentos da Operação Malavita, deflagrada em 2014 pela Polícia Militar, Polícia Civil e Força Nacional para investigar uma organização criminosa formada por policiais militares, policiais civis e outros envolvidos. Segundo as investigações, o grupo atuava em Anápolis e estaria ligado a uma série de crimes praticados entre 2011 e 2014.
Na época, a Polícia Civil informou que a organização fez ao menos 54 vítimas, sendo a maioria delas assassinada. As apurações resultaram na prisão de cerca de 20 pessoas, entre policiais militares, policiais civis e civis. Conforme a investigação, foram instaurados 36 inquéritos envolvendo crimes como homicídio, extorsão, sequestro, tortura e abuso de autoridade. Segundo a Polícia Militar, as ações tinham como objetivo exercer controle sobre o tráfico de drogas em determinadas regiões de Anápolis.