A discussão sobre o futuro dos cursos superiores de artes ganhou espaço durante a realização do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na Cidade de Goiás. Enquanto o município recebe artistas, cineastas e estudantes de diferentes regiões do país, uma proposta em análise no Instituto Federal de Goiás (IFG) preocupa parte da comunidade acadêmica.
O debate envolve a possível suspensão da oferta de novas turmas dos cursos de Licenciatura em Artes Visuais e Bacharelado em Cinema e Audiovisual. A medida integra o Plano de Oferta de Cursos e Vagas (POCV), documento que orienta a expansão e a reorganização acadêmica da instituição para os próximos anos.
Comunidade acadêmica questiona processo
A proposta recebeu aprovação em votação eletrônica realizada no início de junho. No curso de Cinema e Audiovisual, 85,7% dos votos válidos foram favoráveis à suspensão da oferta de novas turmas. Em Artes Visuais, o percentual chegou a 80,8%.
Apesar do resultado, professores, estudantes e egressos contestam a condução do processo. Segundo eles, a elaboração do plano ocorreu sem diálogo suficiente com a comunidade acadêmica.
Coordenador do bacharelado em Cinema e Audiovisual, Renato Naves Prado afirma que o POCV define os rumos da instituição para os próximos anos. No entanto, ele argumenta que sugestões apresentadas pelos cursos não receberam a devida consideração durante o debate.
Além disso, representantes dos cursos protocolaram um pedido de impugnação do processo. O documento aponta questionamentos sobre a metodologia utilizada e sobre a participação dos diferentes segmentos da comunidade acadêmica nas decisões.
Manifestação ocorre durante o Fica
A mobilização ganhou visibilidade durante a abertura da 27ª edição do Fica. Estudantes, professores, artistas e ex-alunos realizaram manifestações em frente ao Cine Teatro São Joaquim para chamar atenção para o tema.
Os participantes argumentam que a suspensão das turmas pode enfraquecer a produção cultural da Cidade de Goiás. Segundo eles, os cursos contribuem para a formação de artistas, pesquisadores, professores e profissionais do audiovisual há uma década.
O produtor audiovisual Rafael Freire destacou que estudantes e professores dos cursos participam regularmente da programação do festival. Para ele, a medida pode impactar diretamente o ecossistema cultural construído na cidade nos últimos anos.
Já a coordenadora de Artes Visuais, Fabiana Lula, afirma que a discussão envolve também questões relacionadas à estrutura dos cursos. Segundo ela, a falta de investimentos em pessoal e assistência estudantil contribui para dificuldades enfrentadas atualmente pelas graduações.
Por outro lado, a comunidade acadêmica defende a realização de debates mais amplos antes da definição sobre o futuro das formações. Em carta pública divulgada durante o festival, os centros acadêmicos afirmaram que a mobilização busca garantir participação efetiva nas decisões que afetam o campus.
Os cursos de Artes Visuais e Cinema e Audiovisual completam dez anos de funcionamento em 2026. Ao longo desse período, as graduações formaram profissionais que atuam em projetos culturais, produções audiovisuais, pesquisa e educação em Goiás e em outros estados.
Enquanto o debate continua, estudantes, docentes e egressos seguem mobilizados para discutir alternativas e acompanhar os próximos desdobramentos do Plano de Oferta de Cursos e Vagas do IFG Cidade de Goiás.