Fugindo de exigências como a obrigatoriedade de emplacamento e, principalmente, da necessidade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), os veículos autopropelidos – automóvel equipado com motor e sistema de propulsão próprio – têm se consolidado como alternativa para quem busca mobilidade sustentável e economia.
Em Goiânia, a tendência não é diferente e ganhou força com a vigência das novas regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que endureceram as exigências para a circulação de ciclomotores. Válidas desde 1º de janeiro, as normas passaram a exigir Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), emplacamento, licenciamento anual e habilitação do condutor.
Se, por um lado, as novas regras visam aumentar a segurança no trânsito, por outro, têm impactado as vendas de ciclomotores e ampliado a procura por veículos autopropelidos. É o que afirma a proprietária da loja Íon Motors, localizada na capital, Ilara Nathalie.
Em entrevista exclusiva ao TVSD Notícias, ela relata que muitos clientes já chegam ao estabelecimento perguntando por modelos que não exigem emplacamento.
“Hoje em dia, a maior procura é por autopropelido. A pessoa já chega falando que quer autopropelido, já conhece o termo e já vem buscando”, destaca.
Segundo a empresária, o principal atrativo é a não obrigatoriedade de CNH, além de fatores como sustentabilidade e ausência de processos burocráticos, como regulamentação e emplacamento. Os números refletem essa mudança: enquanto a procura por ciclomotores caiu cerca de 50% no estabelecimento ao longo do mês de janeiro, os autopropelidos registraram aumento de 70% nas vendas.
Vida com menos burocracia
Há dois anos, o analista de automação Bruno Pireth decidiu investir em um veículo “sem carteira”, adquirindo o modelo X12 (autopropelido), pelo qual pagou cerca de R$ 10,5 mil. A intenção era que a esposa utilizasse o veículo em deslocamentos diários, como ida ao trabalho, academia e outras atividades cotidianas.
A praticidade aliada à ausência de exigências documentais para circulação estão entre os principais motivos da escolha.
“O autopropelido, para a gente, é prático no dia a dia e econômico, por não necessitar de combustível. É um veículo para trajetos curtos, como ir à academia ou resolver coisas do cotidiano, como se fosse uma moto. Ele também entra na parte da economia por quase não ter manutenção. É fácil de usar, não tem marcha, e essa facilidade ajuda bastante”, explica.
Durante os dois anos de uso, Bruno afirma que realiza manutenções a cada seis meses, com custo médio de R$ 250 por revisão.
Por outro lado, ele avalia que a infraestrutura de Goiânia ainda é um desafio. Segundo o analista, os autopropelidos têm menor resistência em comparação às motos, o que pode gerar desconforto.
“Eu já tive moto. A moto tem mais resistência para o asfalto de qualidade ruim que temos em alguns pontos de Goiânia. Os autopropelidos sentem mais os buracos, por exemplo. O conforto é menor”, afirma.
Questionado sobre as novas exigências impostas aos ciclomotores, Bruno demonstra preocupação de que, futuramente, haja maior burocratização também para os autopropelidos, o que, segundo ele, poderia prejudicar os proprietários.
“Só não pode burocratizar mais. Eles não têm obrigatoriedade, então é deixar como está, não piorar e nem tributar como uma moto, porque não têm os mesmos critérios nem a mesma potência. O que, ao meu ver, precisa melhorar é a estrutura do asfalto de Goiânia”, conclui.

O que são os autoproprelidos
Para ser considerado um autopropelido, o veículo deve conter as seguintes características:
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Ser dotado de uma ou mais rodas;
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Possuir acelerador;
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Ser provido de motor de propulsão com potência máxima de até 1.000 W (mil watts);
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Ter velocidade máxima de fabricação não superior a 32 km/h;
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Possuir largura não superior a 70 cm e distância entre eixos de até 130 cm.
Entre os exemplos estão patinetes elétricos, skates elétricos, bicicletas elétricas com acelerador, hoverboards e monociclos motorizados.

