Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) suspeitos de assassinar, ao menos, três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal.
Os suspeitos foram identificados como Amanda Rodrigues, de 28 anos; Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. As identidades foram confirmadas pela PCDF e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) à TV Globo.
De acordo com as investigações, Marcos Vinícius é apontado como o principal executor dos crimes e chegou a confessar os homicídios à polícia na segunda-feira (19). Marcela também teria admitido participação.
Segundo a polícia, o técnico aplicava doses elevadas de medicamentos nos pacientes, utilizando as substâncias como veneno. Em um dos casos, ele teria injetado um desinfetante diretamente na veia da vítima, após o medicamento acabar. Ao todo, foram feitas cerca de 13 aplicações com seringa.
“Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de quatro vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu e o medicamento havia acabado, ele utilizou um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, o que causou o óbito”, afirmou o delegado Wisllei Salomão.
Ainda conforme as apurações, Marcos utilizou a senha de um médico da instituição para emitir uma receita fraudulenta do medicamento. Sem consultar a equipe médica, ele retirou o produto na farmácia do hospital e o aplicou nas vítimas.
A Polícia Civil aponta que as duas técnicas de enfermagem teriam dado cobertura às ações do suspeito. Marcos atuava na área havia cerca de cinco anos e também trabalhava em outra Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica de um hospital particular em Taguatinga.
Os três são suspeitos pela morte da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, que recebeu a aplicação do desinfetante. Marcos e uma das técnicas também são investigados pela morte do servidor público João Clemente Pereira, de 63 anos.
Além disso, o técnico e outra técnica são investigados pelo assassinato do servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos.
Descoberta do caso
Segundo a diretora do Instituto Médico Legal (IML), Márcia Reis, os pacientes apresentavam quadros clínicos distintos, mas a piora súbita chamou a atenção da equipe hospitalar e das autoridades.
Os crimes teriam ocorrido nos dias 17 de novembro de 2025, quando foram feitas duas aplicações, e em 1º de dezembro, data da terceira ocorrência.
De acordo com a Polícia Civil, na tentativa de disfarçar as ações, o técnico realizava massagens cardíacas nas vítimas para simular tentativas de reanimação.
Os suspeitos foram presos no dia 11 de janeiro deste ano. Também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
O caso segue sob investigação para apurar se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades de saúde onde os suspeitos possam ter atuado.


