O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem despertado preocupação em autoridades de saúde estaduais após o registro de efeitos graves associados ao uso indiscriminado do medicamento. Entre 2020 e 2024, foram contabilizadas 145 notificações suspeitas relacionadas aos princípios ativos dessas medicações no Brasil. Entre os casos, estão a pancreatite aguda – com seis mortes.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que essas substâncias só devem ser utilizadas com prescrição e acompanhamento médico.
Como funcionam
As canetas atuam imitando um hormônio natural do organismo responsável por regular o apetite e os níveis de glicose no sangue. Com isso, retardam o esvaziamento do estômago e aumentam a sensação de saciedade.
Quando utilizadas sem indicação adequada, com doses incorretas ou sem supervisão médica, elas podem provocar inflamação no pâncreas, órgão essencial para a digestão e o controle da glicemia.
A pancreatite é a inflamação do pâncreas e pode causar dor abdominal intensa, vômitos, necessidade de internação e, nos quadros mais graves, levar à necrose do órgão e ao risco de morte.
Apesar dos alertas, especialistas destacam que, quando há indicação correta e acompanhamento profissional, o uso pode ser seguro.
É o caso de Rony Cintra, que em entrevista à TV Serra Dourada, relatou que iniciou o tratamento após avaliação médica completa e acompanhamento contínuo. Ele relata ter perdido 17 quilos em três meses, além de melhora em indicadores como pressão arterial e qualidade de vida.
“Eu fiz todos os exames antes de começar e tive acompanhamento. Não foi algo por conta própria”, relata.
Durante o tratamento, as doses foram ajustadas de forma gradual e exames passaram a ser monitorados regularmente. Rony também recebeu orientação para mudanças na alimentação e acompanhamento de outras condições de saúde, como ansiedade e compulsão alimentar.
De acordo com especialistas, o principal risco está no uso indiscriminado do medicamento. A automedicação, a compra sem receita e a utilização baseada em indicações de redes sociais ou de terceiros aumentam significativamente as chances de complicações.
Desde junho, a Anvisa passou a exigir a retenção da receita médica para a venda dessas canetas, medida que busca reduzir o uso inadequado e proteger a saúde da população.