Medo. Esse foi o sentimento descrito por uma criança, de apenas 11 anos, após ser questionada sobre como se sentia ao viver com o próprio pai. Constantemente, a vítima era ameaçada de morte e alvo de agressões físicas pelo genitor.
Em entrevista concedida à TV Serra Dourada, a conselheira tutelar Élita Arantes contou que a própria criança denunciou o crime à instituição de ensino, na última terça-feira (11), após se cansar das reiteradas ameaças. Segundo o relato, o homem ameaçava arrancar a cabeça e até as orelhas da própria filha.
Em um dos episódios relatados pela menina, o homem chegou a agredi-la com pedaços de madeira. Em outra ocasião, ao tentar abraçar o próprio pai, a criança teria sido agredida com um rodo.
“Tenho medo de morar com o meu pai porque ele é violento. Ele bate, machuca, grita, xinga. […] Ele fala que qualquer hora vai me matar, que vai arrancar minha cabeça, vai arrancar minha orelha”, disse a vítima à conselheira.
Segundo Élita, as intimidações se intensificaram durante discussões ocorridas em dias consecutivos, período em que o homem permaneceu em casa sem trabalhar, dedicando o tempo a brigas e ameaças. Nos momentos em que ele não estava na residência, a criança permanecia sozinha durante várias horas.
A situação de vulnerabilidade da criança é ainda mais grave devido ao histórico familiar e à ausência de uma rede de apoio. A vítima possui registro de ter sido vítima de abuso sexual praticado pelo próprio tio. Além disso, a menina informou que não tem parentes próximos na capital e que não mantém contato com a mãe, que mora em Brasília, desde os quatro anos de idade.
Conforme apurado pelo TVSD Notícias, o suspeito compareceu a delegacia, prestou depoimento, mas não foi preso.
A criança foi levada até uma unidade de acolhimento e segue sendo acompanhada pelo Conselho Tutelar