O caso envolvendo a morte do jornalista Delson Carlos, assassinado a facadas no dia 24 de julho em um apartamento no Setor Bueno, em Goiânia, ganhou um novo desdobramento.
A defesa da principal suspeita do crime, Renata de Almeida Pedreira e Sousa, protocolou um pedido de revogação da prisão preventiva. Os advogados alegam que ela estava em surto psicótico no momento do crime.
Conforme informações obtidas pela TV Serra Dourada, a principal tese apresentada pelos advogados do escritório Neville e Maia é de que Renata sofreu um surto psicótico provocado por uma intoxicação medicamentos causada pelo uso de sedativos. Segundo a defesa, essa condição teria comprometido completamente a capacidade de compreender os próprios atos.
“As provas são claras. Ela teve um surto psicótico […] sem qualquer consciência do que fazia”, afirmou a defesa.
Com base nessa argumentação, os advogados sustentam que não há elementos para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público e defendem o arquivamento do processo.
A defesa também afirma que Renata é ré primária, possui bons antecedentes, residência fixa e exerce a profissão de dentista, não representando risco à ordem pública nem à instrução criminal.
Em nota, os advogados disseram ainda que Renata tenta compreender a dimensão do que ocorreu naquela noite e classificaram o episódio como um momento de “intensa tensão”, “conflito físico” e circunstâncias que, segundo eles, somente poderão ser esclarecidas após a conclusão da análise das provas.
Os representantes da suspeita também afirmaram que o caso não pode ser reduzido a uma narrativa simplificada. Segundo a defesa, a sequência dos acontecimentos, o contexto anterior ao confronto, a atuação das pessoas envolvidas, eventuais interesses pessoais e os elementos periciais ainda serão apurados pelas autoridades.
Relembre o caso
Delson Carlos foi morto dentro do apartamento onde morava, no Residencial Dom Lourenço, no Setor Bueno, em Goiânia.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu durante uma confraternização da qual participavam a vítima, o companheiro do jornalista — que havia deixado o imóvel momentos antes da ação — e Renata de Almeida Pedreira e Sousa.
Segundo a Polícia Civil, Delson residia no apartamento havia cerca de cinco anos. O imóvel era de propriedade da suspeita.
No dia do crime, Renata foi até o apartamento e, após uma discussão, teria pegado uma faca e atingido o jornalista no peito.
Mesmo ferido, Delson ainda tentou deixar o apartamento, mas morreu no corredor do quinto andar do edifício.
Após o crime, Renata permaneceu trancada no imóvel por aproximadamente quatro horas e foi retirada por equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Durante a ocorrência, ela estava armada com facas.
O cachorro de Delson também foi encontrado morto no apartamento.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), que busca esclarecer a dinâmica e a motivação do crime.