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Goiana é a primeira aprovada do Brasil pela cota quilombola em concurso para diplomata

Futuros objetivos está em alcançar o posto de embaixadora, uma das posições mais altas da diplomacia brasileira
Goiana é a primeira aprovada do Brasil pela cota quilombola em concurso para diplomata
(Foto: Reprodução)

A goiana Helen Jaine Gomes Borgens é a primeira candidata aprovada do Brasil pela cota quilombola no concurso público para admissão à carreira diplomática. Graduada do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás (UFG), ela faz parte da comunidade quilombola do Retiro, localizada em Simolândia, no nordeste goiano. O edital com a confirmação da aprovação foi publicado em 23 de junho. O salário inicial da carreira é de R$ 22,5 mil.

Em entrevista para a TVSD Notícias, Helen revela que o interesse pela diplomacia surgiu ainda no ensino médio, durante a preparação para o vestibular. Um professor de um cursinho preparatório apresentou a carreira, o que levou a jovem a pesquisar mais sobre a profissão.

A possibilidade de trabalhar com diferentes áreas do conhecimento chamou sua atenção e influenciou a escolha pela graduação em Relações Internacionais.

“Eu gosto de várias coisas, bastante eclética. Então, a carreira diplomática, ela é bastante multidisciplinar. Aí eu falei, ah, é uma, uma carreira que combina comigo, porque tem a estabilidade do concurso público, mas, ao mesmo tempo, tem a possibilidade de fazer, de trabalhar, de estudar vários assuntos. Eu gosto bastante disso”, contou.

Durante a graduação, no entanto, Helen chegou a deixar o objetivo de lado diante das dificuldades para acessar materiais de estudo e da complexidade do concurso. O interesse foi retomado após uma disciplina da faculdade, que a motivou a voltar a investir no sonho de ingressar na diplomacia.

Preparação e desafios

Moradora do interior, a candidata precisou buscar alternativas para ampliar os conhecimentos exigidos no concurso. O estudo de inglês começou ainda na infância, por iniciativa própria, e ela também aprendeu mandarim durante a pandemia.

Para a preparação específica, porém, precisou recorrer a cursos de algumas disciplinas, já que o conteúdo cobrado é extenso.

“Só que, tipo assim, aqui eu não tenho oportunidade, então eu dou meu jeito. E o que eu consegui fazer por mim mesmo, eu faço”, afirmou.

Além das dificuldades de acesso à preparação especializada, Helen enfrentou problemas de saúde mental durante o período de estudos.

Com a publicação do edital, a ansiedade se intensificou, e ela precisou retomar o tratamento. A situação prejudicou a concentração e a rotina de preparação, fazendo com que chegasse às provas sem a confiança que gostaria de ter.

“Então, foi um período bastante difícil, bem desafiador. Eh, inclusive, me fez acreditar que eu não fosse passar, que não ia ser possível passar na prova”, relatou.

Representatividade quilombola na diplomacia

A aprovação de Helen representa a chegada de uma candidata quilombola a um espaço historicamente marcado por barreiras de acesso.

Ela conquistou a única vaga reservada a candidatos quilombolas no concurso e agora projeta os próximos passos na carreira. Entre os objetivos está alcançar o posto de embaixadora, uma das posições mais altas da diplomacia brasileira.

Apesar de reconhecer que o cargo ainda é um objetivo distante, ela defende que jovens quilombolas continuem buscando oportunidades, mesmo quando não se veem representados nos espaços que desejam ocupar.

“Eu recomendo que continuem seguindo firme nos seus sonhos, continuem estudando, continuem acreditando em vocês, por mais que tudo ao soar ao redor faça vocês se desacreditarem em vocês mesmos, mas é importante que você mantenha essa fé e saber que, independente do local, vocês têm que estar ocupando”

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