PUBLICIDADE

O que são os curucucus? Entenda a tradição das Cavalhadas de Pirenópolis

Entre trajes coloridos, máscaras artesanais e apresentações ao ar livre, a festividade transforma a cidade em um dos principais destinos culturais do Centro-Oeste
Foto: Governo de Goiás

Enquanto cidades brasileiras são conhecidas por festas como o Carnaval do Rio de Janeiro, o Festival de Parintins e as celebrações juninas do Nordeste, Goiás preserva uma tradição centenária que mistura religiosidade, cultura popular e teatro a céu aberto. Em 2026, as Cavalhadas de Pirenópolis completaram 200 anos e reuniram mais de 60 mil pessoas durante a Festa do Divino Espírito Santo, realizada entre os dias 24 e 26 de maio.

Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro, a celebração transforma as ruas da cidade histórica em um grande palco de manifestações religiosas e culturais. A programação inclui missas, novenas, cortejos, apresentações folclóricas e a tradicional encenação das batalhas entre mouros e cristãos.

No campo das Cavalhadas, 24 cavaleiros divididos em dois grupos recriam confrontos inspirados em episódios da Península Ibérica medieval. Os cristãos utilizam trajes azuis, enquanto os mouros vestem vermelho. Ao final da encenação, a tradição representa simbolicamente a conversão dos mouros ao cristianismo.

Quem são os curucucus?

Entre os personagens mais populares da festa estão os mascarados, conhecidos como “curucucus”. Vestidos com roupas coloridas e utilizando máscaras artesanais, eles percorrem as ruas montados a cavalo e também entram na arena das Cavalhadas para interagir com o público e interromper, de forma bem-humorada, as batalhas encenadas.

O nome surgiu por causa do som emitido pelos participantes para esconder a identidade. O anonimato faz parte da tradição. Além das máscaras, os curucucus costumam alterar a voz e evitar qualquer identificação durante a festa.

A máscara de boi, com grandes chifres e formatos variados, tornou-se um dos principais símbolos das Cavalhadas e da própria cidade de Pirenópolis. Também aparecem máscaras de catulé, confeccionadas em tecido preto e pintadas com traços que lembram caveiras, além de personagens inspirados em animais e figuras populares.

Tradição passada entre gerações

Muito além das apresentações, a festa mobiliza a comunidade durante meses. Costureiras, bordadeiras, artesãos e famílias inteiras trabalham na produção dos trajes, flores, máscaras e adereços utilizados pelos participantes.

Grande parte desse trabalho continua sendo realizada de forma artesanal por moradores da cidade, mantendo viva uma tradição transmitida entre diferentes gerações ao longo de dois séculos.

Com 200 anos de história, as Cavalhadas seguem como uma das manifestações culturais mais tradicionais de Goiás, reunindo fé, memória e identidade em uma celebração que atravessa gerações e atrai visitantes de diversas regiões do país.

Leia mais

PUBLICIDADE