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Organização criminosa em Goiás vendia vagas no SUS para cirurgias estéticas com valores de até R$ 5 mil

Operador do esquema fraudava a ficha de regulação, criando doenças ou condições inexistentes
Organização criminosa em Goiás vendia vagas no SUS para cirurgias estéticas com valores de até R$ 5 mil
(Foto: Reprodução)

Com valores que variavam de R$ 1,2 mil a R$ 5 mil, uma organização criminosa em Goiás cobrava de pacientes para que eles furassem a fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Em muitos casos, os procedimentos eram estéticos, como rinoplastia, mamoplastia e abdominoplastia.

As investigações começaram em meados de 2023. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Danilo Victor Nunes, os suspeitos inseriam dados falsos nos sistemas de regulação — Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado (SERVIR) e Sistema Nacional de Regulação (SISREG) — mediante pagamento.

Dessa forma, o operador do esquema fraudava a ficha de regulação, criando doenças ou condições inexistentes.

Os pacientes que desejavam atendimento prioritário pagavam valores entre R$ 1.200 e R$ 5 mil.

“Se for fazer uma cirurgia por fora, é muito caro, principalmente rinoplastia, mamoplastia e abdominoplastia, que são procedimentos de cunho estético”, explicou o delegado ao Jornal Opção.

No entanto, para que cirurgias desse tipo sejam realizadas pelo SUS, é necessário que o paciente comprove uma série de critérios, como a existência de comorbidades.

Investigação 

As investigações também apontaram que os suspeitos ocupavam funções públicas, em cargos comissionados administrativos em prefeituras, e tinham acesso direto aos sistemas de regulação.

As fraudes ocorriam por meio dos sistemas SERVIR (estadual) e SISREG (utilizado em alguns municípios). Além das cirurgias estéticas, o grupo também viabilizava a colocação de próteses, cateterismos, cirurgias bariátricas, além de consultas e exames de alto custo.

A organização ainda alterava a ordem da fila, reposicionando pacientes que efetuavam pagamento para que fossem atendidos em poucos meses, enquanto outros aguardavam por anos.

Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão nas cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Cromínia, Mairipotaba, Caldas Novas, São Luiz do Norte, Corumbá de Goiás, Goianira, Catalão, Cristianópolis e Senador Canedo.

A Polícia também cumpriu seis prisões temporárias, 17 mandados de busca e apreensão e determinou cinco afastamentos cautelares de servidores públicos, com proibição de acesso a órgãos públicos.

Os investigados poderão responder por falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa.

O caso segue em investigação, com análise dos materiais apreendidos para identificar novos envolvidos e aprofundar as apurações.

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